O mundo de quem não erra acabou

01/05/2013 - Revista Vip

O mundo de quem não erra acabou

Eu sempre fui metido a só fazer o que gosto. Joguei meu diploma de engenheiro para o alto e fui fazer TV. Anos depois, larguei um superemprego na Globo e fui estudar cinema na NYU.

 
 

A educação é a coisa mais importante para mim. Eu diria que só trabalho para poder estudar. É a alma do negócio.

 
 
 
A primeira coisa que norteia o sucesso é a sorte. Mas não é só jogar os dados. Se você não ajuda a sorte, se não se oferece e não se arrisca, ela não vem. Não é correr risco irresponsavelmente. É preciso estudar o risco dentro de uma boa chance de aquilo dar certo.
 
 
Quando você não sente um friozão na barriga, é que a coisa em que está envolvido não é tão grande assim.
 
 
O planejamento é fundamental para você se dar ao luxo de ficar ao sabor da sorte.
 
 
Eu aprendi no ano passado que não dá para fazer tudo. Tem uma hora em que a qualidade vai escapar. E, se não for ela, é a sua saúde. No fim, fui salvo de um colapso de stress pelo boxe.
 
 
Trabalhar para criança foi a coisa mais legal e difícil que já fiz. É impossível se a sua cabeça não estiver 100% no presente. Nossa mente é igual a uma perereca no asfalto quente, sempre na ansiedade do que acontecerá ou da angústia do que já aconteceu.
 
 
Tenho uma orientação em direção ao Oriente desde os anos 1980. Tai chi chuan, meditação. É uma forma de poder viver numa velocidade alta sem atropelar as pessoas no sentido de cometer injustiças - ou de cometer muitas, porque algumas a gente comete.
 
 
O humor é tão importante quanto o oxigênio para as pessoas. É imprescindível saber rir de si mesmo, seja você jornalista, engenheiro ou dentista. Se você passa a acreditar nas armadilhas do seu ego, pode se estrepar feio.
 
 
Você só conquista uma mulher na hora em que a faz rir.
 
Quando a piada é boa, pode ser com qualquer coisa, qualquer assunto, que ninguém fica debatendo o limite.
 
 
Muita gente me faz rir. O Fabio Porchat, o Pedro Cardoso, a Dani Calabresa, o Tom Cavalcante. No Twitter eu costumo rir mais de anônimos-famosos, como a @DeniseRossi. Ela tem um humor muito pontiagudo e sofisticado.
 
 
O público quer ser surpreendido, ele quer novidade. E hoje o cara que está do outro lado da TV não está mais calado. Ou a TV ouve esse pessoal ou vai deslizar junto a muita gente que já está deslizando nessa revolução atual.
 
 
O improvisador tem que ser CDF no roteiro. Só depois que o roteiro estiver pronto e decorado, você pode rasgar o texto e pular do trapézio sem rede embaixo. O CQC é 90% roteiro.
 
 
Quem tem medo de errar pode se aposentar agora, porque o mundo de quem não erra acabou.
 
 
Você não acha tudo no Google. As coisas mais importantes você não acha, mesmo entre as que estão na web. E a natureza humana é muito mais ampla e rica do que o que está lá. Precioso é o que você demora muito para encontrar.
 
 
As cinco dúvidas principais do homem são as mesmas até hoje. Shakespeare, nosso nerd maior, entendeu isso lá atrás. São o ciúme, a inveja, a morte... - talvez nem cheguem a cinco.
 
 
Uma mulher que te acha bobo vai te achar bobo no Facebook e fora dele.
 
 
Um amigo meu disse: "Agora perdeu a graça, você não tem mais que paquerar". Pelo contrário! Agora você deve ser ninja, porque existem milhões de técnicas.
 
 
O único problema de ser careca é a indefinição, quando a pessoa acha que não é careca. Felizmente eu sou há 20 anos. Mas você vira refém do protetor solar. Só tem uma regra: o homem não pode ter mais creme do que sua parceira. Temos que ter limites éticos.
 
(Em depoimento a Renato Krausz)