Qual sua reação ao receber um email assinado por 23 ganhadores do prêmio Nobel dizendo: “Caro Presidente, vossa excelentíssima tem consciência que seus atos [os cortes orçamentários em Ciência e Tecnologia] comprometem seriamente o futuro do Brasil? Isto precisa ser revisto antes que seja tarde demais”.
Não sei como foi o final de semana de Michel Temer. O meu foi refletindo sobre o futuro da educação, pesquisa e desenvolvimento do país. Recentemente, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicação anunciou um corte no orçamento de 44%. Para 2018, esperamos mais 15% de redução.
Além dos reconhecidos pelo prêmio Nobel, nosso presidente recebeu um apelo de 250 pesquisadores da área de Matemática pedindo para reconsiderar a decisão.
Uma pesquisa realizada pela The Economist Intelligence Unit apoiada pela Fundação Yidan Prize divulgada neste ano revela que a educação do Brasil não apresenta bons resultados quando o assunto é educação para o futuro.
Para avaliar o caminho educacional, o estudo definiu três indicadores: a) “policy environment” – relacionado a iniciativas locais políticas e públicas de apoio a métodos educacionais voltados para o profissional do futuro; b) “teaching enviroment” – que analisa condições da estrutura de ensino do país como o salário e qualidade de formação do professor e, por fim, c) “socio-economic environment” – avalia fatores sociais como tolerância a diversidade e equidade.
No ranking geral, formado por 35 países avaliados, o Brasil cravou a 22a posição, perdendo para países como o México, Chile e Argentina. Quando a disputa é entre remuneração de professores, despencamos para a 29a colocação.
Brasil, Indonésia, Índia e China foram destacados como os principais desafios de qualificação da mão de obra, por apresentar resultados que indicam carência de habilidades natas para um profissional do mundo digital como a média de menos de 50% da população destes países apresentarem proficiência em computação.
A atenção para o conjunto das quatro nações é reforçada pelo crescimento demográfico que, segundo estimativa, formarão juntas 770 milhões de cidadãos disponíveis para mão de obra até 2030.
Muitas mentes brilhantes já nos alertaram para o destino que o Brasil embarca. Enquanto isso, os cérebros mais preparados para pesquisa e educação do Brasil embarcam para outros países onde são valorizados.