
Como alguns de vocês talvez saibam, fui cadete da Aeronática antes de me meter nesse mundo turbulento da comunicação.
Frequento uma lista na internet de ex-colegas da FAB, entre eles exímios pilotos de caça, comandantes de Boeing da aviação comercial e especialistas em segurança de vôo. Vão abaixo algumas informações trocadas entre eles, que acredito ajudam a entender o mistério do acidente entre o Boeing da Gol e o Legacy da EMBRAER.
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Os dois aviões se chocaram numa Aerovia de Alta. Aerovia de Alta é uma espécie de autoestrada aérea, bem delimitada no espaço, onde aviões de alta performance voam.
A aerovia é dita de “Alta” quando a altitude mínima é maior do que cinco mil metros de altura. A Aerovia que vai de Manaus a Brasília é UZ3- iniciais para Upper Zulu 3.
O ponto de colisão se deu próximo da fronteira de duas regiões aéreas. Se fosse um acidente automobilístico, os carros teriam se chocado bem na divisa de dois estados. No caso dos aviões, era a divisa da UIR AMAZÔNICA e a UIR BRASÍLIA.
UIR é uma Upper (superior) Information Region – ou seja, a UIR Amazônica é de responsabilidade dos controladores do centro em Manaus e a UIR de Brasília é em Brasília, ao lado da pista no CINDACTA.
Assim como na navegação marítima, existe um procedimento de segurança a ser obedecido quando duas aeronaves se aproximam. A diferença é que no ar, as velocidades são incomparavelmente mais altas. O tempo de decisão muito mais curto em caso de um erro. No ar, antes da aproximação, as aeronaves devem subir (ou descer), conforme a direção de cada uma, entre 500 ou até mesmo 1000 metros para evitar a colisão. O que não aconteceu. Aparentemente ambas mantiveram seus níveis de vôo como se uma não estivesse “vendo” a outra.
O conteúdo das caixas pretas vai determinar o que de fato aconteceu. Aliás, a famosa caixa que registra tudo que acontece no vôo não é preta; e sim laranja, como a da foto.
Escrito por Marcelo Tas às 12h03