O papa morreu, mas talvez eu é que esteja velho demais. Me choca profundamente essa excitação a olhos vistos de bispos e cardeais frente às câmeras de TV. Os apresentadores de telejornal, estes sim constritos e tristes até demais, falam de uma “comoção mundial” com a morte do papa. Sinto muito, não vejo nada disso. Pelo menos aqui no Brasil, ao meu redor. A notícia da morte dele não mexeu nem com a minha tia carola lá de Ituverava.
O corpo do papa nem esfriou e já vejo, isto sim, um show de piadinhas. Ontem, D. Cláudio Hummes, arcebispo de São Paulo, um dos cotados para o cargo (até pela mídia italiana) com direito a voto no conclave, apareceu sorrindo para as câmeras dizendo que o voto dele é “secreto”.
Será que eu é que fiquei careta e os padres soltinhos demais?
Ainda, ontem no Jornal Nacional, D. Eusébio Sheid, arcebispo do Rio, disse com todas as letras no ramalhete de microfones à sua frente: “O papa que entrar tem que ser um homem da mídia. Nada vai hoje sem mídia.”
Desculpem os pragmáticos que devem estar rindo dessa minha sensibilidade, mas não imagino na sucessão do Dalai Lama, este tipo de colocação. Esse tipo de baixaria. Para mim, um líder espiritual deve ser antes de tudo, um ser iluminado. Como João Paulo II era no início do seu papado. Depois, degringolou em política, show de mídia e conservadorismo retrógado. A igreja católica está na contra-mão da história. É a favor da mídia, mas contra a camisinha (!?). Por isso perde terreno a cada ano para outros tipos de religião. Palavra que significa religação, conexão com o indizível, o infinito… E não um show de mídia como o que estamos assistindo.
Escrito por Marcelo Tas às 07h38