
Quando vi a chamada do Roda Viva, antes mesmo do programa começar, no intervalo comercial da TV Cultura, pressenti que ia ser meia-boca, como está sendo até a esta altura do campeonato.
Percebi a cara tensa dos ex-apresentadores do programa, sorrisos amarelos pendurados na boca ao lado do presidente dentro do escritório dele no Palácio.
Envio aqui para os ilustres internautas deste blog, a minha listinha dos sete erros: por que o Roda Viva com Lula deu xabú?
1- O programa foi gravado, sem participação ao vivo dos telespectadores.
2- Ao invés de ir até o estúdio da Cultura, o programa é que foi até a “casa do adversário”: o Palácio do Planalto.
3- O áudio está sofrível, oco, cheio de ecos.
4- A iluminação está suave, morna, sem o recorte dramático e brilhante do estúdio.
5- Lula é sonso: ouve o que quer, responde o que lhe é conveniente. O presidente viaja na maionese sem ser importunado pelos entrevistadores. A maioria dos ilustres colegas participantes está afastada do batente da prática da entrevista há algum tempo.
6- Lula está numa cadeira alta, estofada de couro; os entrevistados em cadeirinhas baixas, desconfortáveis, equilibrando os papeizinhos em cima das pernas. Justamente o contrário da mise-en-scene do formato original. O entrevistado no fundo do poço, os entrevistados em cima, batendo pesado. É elementar.
7- Faltou o professor Pasquale, para cobrar os plurais sonegados pelo presidente.
Sinto muito, mas vou ficar por aqui. Tenho mais o que fazer do que ouvir a propaganda eleitoral do Lula. Sinto muito, respeito, sou admirador e telespectador assíduo desse programa, mas o Roda Viva 1.000 deu xabú.
Vou voltar para o meu livro, a biografia do jornalista Tarso de Castro. Boa noite.
PS: ilustra do Adilson Farias (www.adilsonfarias.theblog.com.br).
Escrito por Marcelo Tas às 22h35