A mudança chegou, diz Obama. Tomara que sim, compadre, porque senão esse velho barco não aguenta e afunda. Suerte e coragem para fazer essa frase não morrer só como um slogan de campanha, meu caro.
O jornal que chegou as 7 da matina foi direto para a lata do lixo. Dizia que Chicago vivia “expectativa” da vitória de Obama, como se fosse uma página de internet congelada no passado. Liguei a CNN para ver o discurso histórico do primeiro presidente negro, pouco mais de um século após um tempo em que negros nem podiam votar.
Sobrou esse texto de David Brooks, do The New York Times. Leia atentamente. Parece que serve para países em outras partes do globo.
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Encontro com a escassez
Geração que chega ao poder enfrentará um problema para o qual não está preparada
DAVID BROOKS
DO “NEW YORK TIMES”
O DIA 4 de novembro de 2008 representa o fim de uma era. Economicamente, marca o final do longo boom iniciado em 1983. Politicamente, provavelmente marca o final do domínio conservador iniciado em 1980. Geracionalmente, marca o final da supremacia da geração baby boom, iniciada em 1968. Nos últimos 16 anos, membros da geração baby boom (os norte-americanos nascidos entre 1946 e 1960) ocuparam a Casa Branca.
Quando os historiadores analisarem a era que está se encerrando agora, verão um período de realizações privadas e de decepção pública. Nas duas últimas décadas, os EUA se tornaram um lugar muito mais interessante. Empresas como Starbucks, Apple, Crate & Barrel, Microsoft e muitas outras iluminaram as vidas cotidianas. Cidadãos privados, sobretudo os jovens, repararam os danos no tecido social, se dedicaram ao serviço comunitário e promoveram uma redução no número de viciados em drogas e de gestações na adolescência. Mas, ao mesmo tempo, a esfera pública não floresceu.
A despeito de décadas de prosperidade, questões já antigas como a saúde, a educação, a política energética e os benefícios sociais não foram conduzidas devidamente. A geração baby boom, que iniciou sua vida adulta prometendo ativismo permanente, provou ser uma geração sem distinção política alguma. Produziu dois presidentes, nenhum dos quais confirmou o potencial que parecia apresentar. E seus integrantes se mantiveram aferrados à guerra cultural que consome a geração deles. Estão transmitindo o manto da supremacia política depois de desperdiçar uma série de oportunidades.
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Foto: tirada por anônimo na multidão que comemorava a vitórida do Democrata no Grant Park, em Chigago, onde também estava Felipe Andreolli com a equipe do CQC, que conta tudo sobre a festa na próxima segunda-feira (Flirck).
Escrito por Marcelo Tas às 08h47