(VIDEO REMOVIDO)
Pérola do YouTube. 1966: o lançamento do míssil James Brown ao mundo, no “Ed Sullivan Show”, então programa de maior prestígio da TV americana, digamos o “Jô Soares” deles na época.
Três décadas depois, na mesma Nova York, vi Brown ao vivo, no Radio City Hall, com a escolta privilegiada das minhas amigas Angélica Vieira e Lúcia Guimarães, que já brilhavam no Manhattan Connection do GNT.
A presença de Brown no palco me fez visualizar como seria uma missa conduzida pelo diabo. A atmosfera em torno dele é parecida com aquela que envolve as lutas de boxe, os cassinos de Las Vegas e os antigos camarotes dos bicheiros no sambódromo do Rio de Janeiro.
Diante da platéia, James aproveita cada milímetro da sua condição de “Godfather do Soul”. O show é assim: super banda aquece o público até uma temperatura próxima do insuportável. Entra o negão baixinho e atarracado, cabelos alisados- meio Prince, meio Elvis, meio Michael… meio… todos é que são meio ele, evidentemente. Com uma longa capa vermelha de seda sobre os ombros, Brown parece medir três metros. Um pouco mágico, um pouco capeta mesmo. Não tem outra descrição possível.
Depois de estraçalhar a platéia com mais de duas dezenas de funks- os verdadeiros- hiper dançantes, Brown faz o maior charme para ir embora. Suas assistentes de palco, apetitosíssimas, teimam em tentar recolocar a capa sobre seus ombros. Por várias vezes, ele repete o gesto de jogar dramaticamente a capa no chão. Como um espírito que se recusasse a desencarnar. A platéia vai ao delírio. Suplica para que o transe não termine. Diante do suspense máximo, com toda crueldade que lhe compete, Brown se retira solenemente. Deixa a banda terminar o serviço. E não volta nunca mais.
Escrito por Marcelo Tas às 08h41