É constrangedor mas a gente não repara.
Toda vez que acontece um crime brutal, de repercursão internacional, como o assassinato da freira norte-americana no último sábado no Pará, as autoridades se apressam em pedir “empenho máximo” da Justiça. Como faz o próprio Presidente Lula, na capa de O Globo de hoje (recorte acima).
Fico pensando: se o presidente pede “empenho máximo” no caso o que seria então um “empenho normal” ou um “empenho mínimo” da Justiça Brasileira?
O caso Valdomiro, por exemplo, está sob qual velocidade: mínima, normal ou máxima?
Pelamordedeus, comentaristas, não vamos nos autofragelar com aquele complexo de inferioridade tupiniquim de que só no Brasil existe bandalheira, injustiças… O funcionamento dos lobistas, a justiça do cachorro grande em relação aos vira-latas é uma constante mundial. Só que aqui o presidente não fica corado de vergonha de declarar essa prática na capa de jornal.
Nem Bush, nem Blair… nem mesmo o gangster do Berlusconi, atual reizinho da Itália, teriam coragem suficiente de determinar publicamente o ritmo da Justiça.
Aqui a gente nem repara mais. E pior, alguns até se comovem com a macheza do presidente.
Escrito por Marcelo Tas às 11h16