
Infelizmente, não é só no Amapá que a Justiça é lerda, cega e anti-democrática.
Em Pernambuco, através de liminares, três institutos de pesquisa não conseguem publicar seus resultados. Aqui em São Paulo, a Folha de S. Paulo é condenada a publicar um direito de resposta por conta do artigo abaixo do seu colunista Clóvis Rossi.
Inacreditável. Uma coluna de opinião acusada de ser “ofensiva”. Seria o caso de rir, não fosse o de chorar pela raquítica democracia brasileira. As leis eleitorais, surgidas justamente para coibir os abusos dos coronéis da política- que nas horas vagas, e como existem essas horas na vida deles, são detentores de vários meios de comunicação- acaba açoitando a liberdade de imprensa. É nítida e flagrante a tentativa dos partidos que entram na Justiça, neste caso o PT, de intimidar os jornalistas que emitem opinião.
Não é à toa que essa eleição é classificada de “morna”. Não há entrevistas onde se possa perguntar livremente. Apenas aquele ramalhetes de microfones onde o candidato responde o que quer. Não há debate político, apenas aqueles acordados com os marketeiros dos candidatos, como vai ser o último desta noite na Globo. E pior, há uma grande repressão via advogados aos colunistas que ousem trabalhar. Isto í, emitir opinião. Como faz Clovis Rossi no artigo abaixo publicado no dia 22 de Setembro, na página 2 da Folha de S. Paulo. A coluna ainda pode ser encontrada no arquivo do jornal na internet no link:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2809200648.htm
É triste, mas ainda hoje, em pleno ano 2006, século 21, mais do que nunca é urgente gritar: Abaixo a censura!!!!!
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FOLHA DE S. PAULO
22/set/2006
CLÓVIS ROSSI
Como se faz uma quadrilha
SÃO PAULO – Oded Grajew, empresário que foi dos primeiros da espécie a aderir ao lulo-petismo, bem antes do poder, matou faz tempo a charada do apodrecimento do PT e, com ele, do governo Lula. Em depoimento para livro de duas jornalistas inglesas sobre a crise petista (a primeira), Oded lamentou que, para a cúpula partidária e para o pessoal do aparato burocrático, a política tenha se tornado “maneira de ganhar a vida”.
Completou: “Alcançar o poder se converte no mais importante, e, para isso, as pessoas estão dispostas a fazer concessões éticas. Em outras palavras, se desejo estar no poder, necessito dinheiro, e, se não posso conseguir os fundos legalmente, então o farei ilegalmente”.
Outro “lulista”, aliás o novo coordenador de campanha de Lula, Marco Aurélio Garcia, por sua vez, queixou-se, no mesmo livro, de que trabalhou de graça como secretário de Relações Internacionais do PT durante dez anos, ao passo que “um membro de uma tendência de esquerda [do PT] ganhava R$ 7,2 mil por mês”, mais do que Garcia como assessor para assuntos internacionais de Lula.
São essas “boquinhas” que fazem compradores de dossiê ou praticantes de outras delinqüências. Freud Godoy, mero segurança, usou o PT (e o governo Lula) como meio de alpinismo social, a ponto de morar em um apartamento de R$ 500 mil. Valdebran Carlos Padilha da Silva, por sua vez, mora em um condomínio de luxo em Cuiabá. José Lorenzetti, enfermeiro, virou diretor de banco federal.
Para manter as “boquinhas”, é lógico que fariam de tudo. Assim como as pessoas que assessoram, todas com cargos eletivos. Para manter o poder, fazem o diabo, contando com o acobertamento do chefe, que, mesmo quando os demite, acaricia-os depois. Foi essa cultura que gerou a “quadrilha” antigamente chamada de Partido dos Trabalhadores.