
Mais chocante do que os trágicos acontecimentos de ontem em São Paulo, foi chegar em casa e ver na TV um ramalhete de opções de mesas redondas e “especiais” oportunistas atrás de audiência. Sim, lá estavam todos aqueles que foram varridos de seus horários sanguinolentos do final da tarde. Numa recaída, as emissoras optaram por chupar o sangue dos acuados pelo medo. Tiraram do armário os verdadeiros sanguessugas das mentes incautas. Açougueiros do terror.
Até Ratinho, o pobre e assustado animalzinho rejeitado pela audiência do SBT, ganhou um cenário cafona de luxo para um improvisado talkshow fantasma. Foi apenas patético, já que sua verve e credibilidade para chocar o plantão já não tem o mesmo elã e eficiência de outrora.
Não posso deixar de registrar a tremenda irresponsabilidade da repórter Ana Paula Neves que anunciou ao vivo na TV Record o boato do toque de recolher como uma verdade verdadeira. Muito provavelmente, essa garota inexperiente, com um canhão na mão que é um microfone e um link ao vivo no dia de ontem, foi a responsável pelo maior congestionamento que esta cidade já viu. A mesma “repórter”, exagerando no tom da voz, também inflacionou o número dos ataques e até, acreditem, dos mortos. “É uma vergonha”, diria o seu ex-colega âncora daquela emissora.
Já pelos talkshows do horror, em várias emissoras, desfilava uma fila de procuradores, deputados picaretas, delegados loquazes e outras espécies de oportunistas desfilavam seu blablablá chocho pelos microfones. Da minha sala, pude sentir o cheiro de loção após barba de gosto duvidoso deles. Temos que repudiar esses aproveitadores do pânico da mesma forma como devemos repudiar e nos indignar com a violência do PCC contra policiais honestos e trabalhadores que foram mortos neste final de semana.
Escrito por Marcelo Tas às 10h44