Estréia amanhã na Mostra de Cinema de São Paulo uma luz no fim do túnel do sempre vacilante cinema brasileiro. É, muito provavelmente, o primeiro longa metragem produzido por uma universidade brasileira: a PUC do Rio de Janeiro.
Estudantes de cinema contam uma história simples sobre um casal de estudantes de cinema. Conversas aparentemente superficiais sobre Cavaleiros do Zodíaco, o desejo de ver Britney Spears nua ou se Transformers é, de fato, o filme mais genial de todos os tempos, revelam com sutileza e delicadeza o retrato do momento raro, ruidoso e complexo que vivemos. É o primeiro retrato da geração digital feito por ela mesma, sem intermediação de produtores gulosos ou cineastas antigões querendo dar uma de moderninhos.
O filme é rodado em praticamente duas locações. A casa do casal e o próprio campus da PUC, localizado em meio a uma generosa porção de mata atlântica em plena Zona Sul do Rio de Janeiro, no bairro da Gávea. Assisti, por acaso, a filmagem da cena principal do trailer acima. Coisa de pai que vai visitar a filha na escola (atenção: esse post não tem cenas de nepotismo explícito, Luiza, minha filha, é estudante de Direito e não está envolvida na fita). O que posso garantir: há muito tempo não via uma galera filmando com tanto prazer, leveza e criatividade.
Os integrantes da equipe trabalharam, segundo eles próprios, no esquema zero oitocentos (com sotaque carioca, please), uma referência à ligação telefônica gratuita. Mostram como é possível fazer cinema com uma boa história e pouco ou quase nenhum dinheiro. E, atenção velharada do cinema nacional, olha o exemplo de eficiência da molecada: testemunhei a tal cena sendo rodada no mês de Maio. Quatro meses depois, o filme não só já está pronto como levou o prêmio de melhor filme no recente Festival de Cinema do Rio, na votação do público!
Portanto, anotem aí: “Apenas o Fim”, filme de estréia do jovem Matheus Souza, com os talentosos Érika Mader e Gregório Duviver nos papéis principais estréia nesta sexta, dia 17, na Mostra de São Paulo. Espero que todo Brasil possa vê-lo muito em breve.
Escrito por Marcelo Tas às 09h41