Impressionante como resultado de debate é algo abstrato, imensurável.
É como uma partida de futebol sem bola. Quer dizer, os jogadores ficam correndo 90 minutos. E no final não tem placar para apontar quem ganhou. Tem que ser na base do palpite de especialistas. Ou de institutos de pesquisas.
O de ontem pra mim, sem nenhuma sombra de dúvidas, foi um passeio do Kerry. Óbvio, arrebentou com o Bush. Que titubeia com ele mesmo. E quando decide o que falar, ainda tem problemas com os verbos, substantivos, predicado e sujeito da frase. Nunca sabe em que ordem colocar a coisa. Patético. Seria cômico, não fosse a imensa tragédia humana que está promovendo ao redor do mundo.
Kerry deu um show de bola. Marta e Serra deviam assistir várias vezes para aprender a diferença entre ironia e cinismo. Entre humor agressivo e violência apelativa verbal. As TVs brasileiras também têm muito a aprender com o debate norte-americano. Condução leve, mas opinativa. Autoridade com flexibilidade. Estão pelo menos 30 anos à nossa frente no formato.
Só não aprenderam ainda como quantificar o resultado do jogo. Aí fica isso. Eu acho uma coisa, fulano outra, a pesquisa ainda outra mais.
O show do Kerry incluiu uma nova piadinha que vai colar no Bush. Quando surgiu o inevitável assunto das armas de destruição em massa, Kerry lançou o bem-sacado trocadilho: o texano é uma arma de enganação em massa.
Foi um passeio. No meu placar, pelo menos 4 x 1 pro Kerry. CNN deu empate. NY Times deu pequena margem para Kerry. BBC deu Kerry, com menos entusiasmo do que eu. E o Nelson de Sá, na Folha, deu Bush, com entusiasmo!
Há que se inventar um placar para esse jogo.
Escrito por Marcelo Tas às 09h17
