
A volta do bang-bang na mídia carioca é um sinal da chegada do verão.
O calor parece que excita as idéias do capeta. E mostra a dura realidade de viver no Brasil. Enquanto alguns se preocupam com o vestibular, com alguma razão, pode ser decisivo para suas vidas futuras, outros se preocupam com as balas que começam a se perder pelos tiroreios que anunciam o verão.
Publico abaixo, trecho do relato da jornalista e célebre blogueira Cora Ronai, no seu www.cronai.com.
Eu, como Cora, amo o Rio de Janeiro. Mas, como alguém já disse, quem?, o Rio é o trailer do Brasil. Para além do bem e do mal.
A coisa tá sinistra.
..::..Internetc…
Cora Ronai
www.cronai.com
O Tom e eu estávamos comendo ali no Frontera, no outro dia, quando começou o tiroteio no Cantagalo. Foi meio surreal, porque a decoração do restaurante, quase na esquina da Teixeira de Melo, ou seja, ao lado da subida do morro, é meio viagem, meio faroeste: muita madeira, cartazes antigos, essas coisas que lembram mundos exóticos e remotos.
Houve uma certa correria na rua e, quando finalmente achei o celular na bolsa, os garçons estavam justamente fechando as portas. Como eles conhecem o pedaço melhor do que eu, e como o celular dificilmente renderia boas fotos nas circunstâncias, fiquei na minha e terminamos de jantar na santa paz.
Depois seguimos na direção oposta, rumo à 14a, que era meu destino, onde fui registrar a engronga do cartão de crédito com meus amigos Prates e Cupelo, os heróis que recuperaram a Pipoca em julho do ano passado.
Quando estávamos na delegacia fazendo um resumo dos fatos para a Renata, colega deles novinha, bonita e muito simpática, apareceu um PM todo armado. Vinha calmo e tranqüilo, jogou um beijo pra Renatinha e foi pegar um café.
Perguntamos como estavam as coisas lá pras bandas da General Osório e ele disse que nem dava pra subir, que os caras estavam disparando para todos os lados e que até granada tinham explodido.
— Perdemos a granada! — exclamou o Tom.
Foi uma conversa casual, mais ou menos como se estivéssemos falando a respeito da chuva ou da ressaca em Copacabana.
Imagem: Rio de Janeiro por Jano
Escrito por Marcelo Tas às 14h59