
Depois da comoção do menino arrastado preso ao cinto de segurança, veio chumbo grosso. Mais grosso. É difícil manter teso o músculo da indignação. O Brasil é um desafio diário de causar hipertrofia no coração.
O caso do garoto Thiago Oliveira Paulino, 18 anos, assassinado em frente à escola dele, no Rio, é tão ou ainda mais grave. Ao contrário do garoto do cinto, que estava sendo vítima de um assalto, Thiago saía da aula com os colegas. Traficantes do morro vizinho à escola passaram de carro atirando contra as crianças com armas de rasgar carros blindados.
Os marginais justificaram que aquilo era um “protesto” contra a invasão do morro pela polícia.
Do outro lado da moeda, a coisa anda igualmente podre. Na foto acima, vemos os familiares do mototaxista Jacson Vieira da Silva enterrando o corpo do jovem de 25 anos, no cemitério de Inhaúma, também no Rio. Jacson foi assassinado pela própria polícia. Os homens da lei alegaram que não esperavam que ele atendesse a ordem de parar na blitz realizada numa favela da área.
Quando bandidos e polícia atiram à esmo, o que fazer, correr? Quando bandidos atiram contra um grupo de garotos saindo de uma escola, o que temos que aprender com isso?
Foto: Guilherme Pinto/ O Globo
Escrito por Marcelo Tas às 08h59