
Na velocidade atual dos fatos, consigo me informar melhor com revistas e jornais antigos do que com os do dia.
É uma pena que tenha passada desapercebida a incrível edição de Maio da revista Caros Amigos. Recém saído do governo, o ex-ministro Ciro Gomes finalmente nos esclarece porque quando no “puder” com os “cumpanheiro” não fez quase nada. É simples: é tudo culpa do “Centro Clandestino”. Segundo suas próprias palavras: “qualquer um que vai chegando ali para tomar decisão, o tal mercado- que é esse centro clandestino que opera as coisas no Brasil- chama para “beijar a cruz”.
Político transferir a culpa da sua incompetência ao mercado é como Ronaldinho reclamar que o gramado é verde ou a bola redonda.
Com ares de cabra-macho, o outrora silencioso ministro e agora valente ex-ministro também declara ser a favor do controle da imprensa pelo estado. Abro aspas para ele: “Deveríamos criar cooperativas de jornalistas financiados pelo Estado para pulverizar a informação.” E vai mais adiante: “No fundo a gente tem que se concentrar em educar o povo, tem que se concentrar em qualificar nossa militância política, mostrar para a população coisas que estão acontecendo. Aí não pode ter rabo de palha.”
Claro, o estado financia jornalistas para que eles possam escrever “livremente” o que está acontecendo. É esse o conceito de liberdade de imprensa do ex-jovem candidato que apoiou Fernando Collor para presidente?
Cacilda, depois aqueles tipos invandem e quebram a Câmara e a gente não sabe por quê.
PS: Se você tiver sorte, ainda encontra esse exemplar histórico de cultura brasileira nas bancas. No site da Caros Amigos só encontrei a edição de Junho. Aparentemente se esqueceram de anexar a de Maio ao arquivo, que contém apenas de Abril para trás.
Escrito por Marcelo Tas às 08h37