Recebi no meu estúdio na semana passada o economista Ed Glaeser que está preparando uma série de cursos à distância para a Universidade de Harvard. O tema da entrevista era o futuro das cidades, para onde caminha a vida urbana.
A visita no Brasil para falar sobre o assunto não foi só inspirado pelo caos e ordem de cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. Assim que o professor Glaeser desligou a câmera, foi a minha vez de entrevistá-lo quando ele me revelou um dado impressionante: os brasileiros estão em segundo lugar no ranking dos países que mais acessam os conteúdos online de Harvard.

Bastidores da gravação para a série de cursos online CitiesX produzida pela Universidade de Harvard.
Acervo pessoal
O time de Harvard se uniu ao MIT e fundou o EDX.com, uma plataforma de ensino à distância com centenas de cursos gratuitos produzidos por universidades de grande renome mundial.
Minha ligação ao EaD vem da década de 1990, quando fui diretor de criação do Telecurso da Fundação Roberto Marinho por mais de 10 anos.
De lá pra cá, o modelo de ensino a distância, seja ele de graduação ou extensão, segue em franca ascendência. Por permitir a redução dos custos de produção, o preço para o aluno normalmente é mais acessível do que uma escola que pratica o modelo presencial.
Quando unimos o perrengue financeiro do brasileiro, a falta de tempo para frequentar uma instituição de ensino pessoalmente e a necessidade de qualificação profissional no País, formamos os ingredientes fundamentais para explicar os mais de 5 milhões de cursos disponibilizados por brasileiros na rede, incluindo graduações e cursos livres.
Se avaliarmos o ensino superior e pós-graduação online, o crescimento é impressionante. Em 2007, nove instituições ofereciam 18 cursos online. Hoje, 317 faculdades disponibilizam 2.070 cursos regulamentados pelo MEC.
Por falar em regulamentação, o MEC publicou no mês anterior uma portaria que flexibiliza o credenciamento para instituições oferecerem cursos de nível superior em modelo digital. A medida foi um atalho para estimular o número de ofertas de graduação online e impulsionar a taxa bruta de matrículas na educação superior a fim de atingir a meta do Plano Nacional de Educação em 33% na população de 18 a 24 anos.
Enquanto a legislação e o desenvolvimento de tecnologias avançam estimulando a oferta dos cursos online, o conteúdo também encara novos desafios e oportunidades. Da mesma forma que os meios de ensino a distância permitem aplicar o mesmo vídeo para centenas ou milhares de alunos, os métodos de análise de dados gerados pelo ritmo de estudo e resultado nas avaliações de cada estudante possibilitam a personalização do método de acordo com cada usuário da plataforma.
O principal desafio para qualificação deste segmento de educação está nos neurônios humanos. Como produzir um conteúdo educativo eficiente para alunos que recebem as aulas de diversas plataformas consumindo o material de casa, do ônibus ou até mesmo entre um intervalo de aula de um outro curso em uma faculdade física?
Há quem estime que o EaD possa ultrapassar em números os modelos de ensino presenciais nos próximos cinco anos. O prazo está curto para rebatermos com qualidade essa bola que já está lá no alto. Deixo meu convite à comunidade de professores e tutores para refletirmos juntos métodos e meios para aprimorarmos a qualidade do ensino a distância e como se apropriar de recursos tecnológicos para aumentar o potencial de aprendizado nos cursos presenciais.