Num texto abaixo, eu perguntava quando os veículos de comunicação de massa no Brasil vão “descobrir” de verdade a internet. Me referia especialmente à chegada espetacular do vídeo na rede. Dizia que especialmente aqui no Brasil os veículos de comunicação- TV, rádio, jornal e revista- ainda resistem a entender que o seu produto, o jornalismo e o entretenimento, está migrando para o clique clique dos internautas.
Hoje, no caderno Dinheiro da Folha de São Paulo, podemos ler o sinal dos tempos: a Sony BMG, uma das maiores gravadoras do Brasil, anuncia que vai mudar de nome para Day1. E obviamente não se trata apenas de uma questão de nome. Afinal, quem desprezaria um nome sólido como Sony. Mas de modelo de negócio. Ao invés de gravar e lançar CDs de música, passa a ser uma “desenvolvedora de talentos”, o que incluirá atores, apresentadores e até jogadores de futebol.
Os diretores da antiga gravadora se penitenciam e reconhecem que “as gravadores trabalharam mal e prestaram serviços ruins aos seus artistas”. Puxa, é mesmo, então quer dizer que o Lobão estava certo?
O que já é fato consumado com as gravadoras de música é exatamente o que pode acontecer com TV, cinema, jornais e revistas num intervalo bem curto de tempo. E bota curto nisso.
A onda digital varreu primeiro a indústria fonográfica por uma mera questão de banda. Com a internet lenta, os usuários da rede começaram primeiro a trocar texto e áudio. Agora, com a banda larga se popularizando, trocaremos com mais intensidade arquivos maiores como gráficos, foto e vídeo. Ou seja, a bola da vez da revolução digital serão os provedores desse tipo de conteúdo. Notadamente TVs e cinema. Mas não se enganem. A nova onda atinge de frente todos os veículos que produzem jornalismo. Ou você não vai se interessar em ver o que a sua revista ou jornal preferido podem oferecer com gráficos, áudio e vídeo?
Enfim, depois de muitos anos, uma palavra que saiu de moda há coisa de dez anos, começa a fazer sentido: convergência.
Quem cochilar, está condenado a daqui a alguns anos, aparecer com o sorriso amarelo dos diretores da Sony BMG, aí na foto abaixo
Foto: Luciana Whitaker/ Folha Imagem)
Arte acima: recorte da revista Rolling Stone recomendando a banda “Bonde do Role”. O trio curitibano, formada em 2005, que encontrou seu público via internet. Há exatamente um ano, saíram na Rolling Stone, bíblia da indústria fonográfica, como um dos 10 artistas que os leitores deveriam ficar de olho. Nesta semana, iniciam turnê por EUA e Europa. Preciso dizer mais alguma coisa?
Escrito por Marcelo Tas às 09h00