
Prezado Tas,
A idéia de passar o controle aéreo para os civis é ilusória. Cito o caso da Infraero. Recebe muito recurso financeiro mas a área da logística não funciona com a velocidade que devia. A grana na logística é alta. Todos querem o filé: os aeroportos rentáveis do Sul e Sudeste e suas taxas. Manter um equipamento lá em “Deus me livre” ninguém quer. Não é prioridade. Portanto, não adianta colocar o foco só nos operadores do tráfego aéreo. A área operacional tem que andar junto com a logística.
Tenho voado pela América do Sul e Caribe e percebo o quanto estamos bem, ou pelo menos estávamos. Temos cobertura por radar no país todo. Não é pouco e não é fácil. Acreditem, é uma guerra. Vocês não imaginam como sofre essa tecnologia moderna na beira do mar e em várias cidades da Amazônia. Interligar tudo isso para que a imagem do radar chegue bonitinha para o controlador com antenas de retransmissão… chuva forte, fogo, bicho que morre queimado nos fios, roubos e mais roubos de cabos de cobre, panes dos rádios, alguns novos, outros nem tanto.. São milhares e milhares de dólares e euros gastos pra manter tudo funcionando.
Não só no controle, mas na logística também falta gente. Só que os da logística não trabalham em escala. E ainda viajam e fazem hora extra na bancada pra “apagar incêndios”, como qualquer especialidade militar. Não é segredo em país nenhum. Somos mais “baratos” porque não temos direitos trabalhistas. É a regra posta para todos, sem exceção.
Se não está bom, por que não saem? O controlador gosta de sentir um piloto, pois como eles dizem, “conduzem todas aquelas vidas”. Sim, mas não é tudo. Afinal, o mecânico e o piloto fazem o principal. Mas eles não aceitam. São prima-donas. Daí haver uma distância de pensamento entre as categorias.
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Piloto militar, em depoimento anônimo ao blog.
Imagem: cobertura do território brasileiro pelos radares de controle aéreo
Escrito por Marcelo Tas às 08h34