
Caroline de Mônaco foi a primeira mulher por quem me apaixonei na vida. Nunca nos encontramos de fato. Foi tudo através das páginas das revistas “O Cruzeiro” e depois “Manchete”, onde acompanhei sua beleza estúpida e vida turbulenta.
Filha do príncipe Rainier e Grace Kelly, talvez a mulher mais linda que já houve no cinema, Caroline levou aquela vida besta junto a milionários europeus bêbados, que nunca devem ter conseguido satisfazer o seu desejo de conhecer, de verdade, o seu próprio mundo. Mas quem conseguiria? Eu, um moleque perdido lá em Ituverava, interior de São Paulo, tinha certeza de que aquela era minha tarefa nesta encarnação. Mas, desgraçadamente, ainda não nos encontramos. Ou melhor, quase.
Em 1989, me aproximei perigosamente de Caroline. Enviado por Monique Gardemberg, fui ao Principado de Mônaco como curador, convidar artistas para uma exibição que aconteceria no Rio de Janeiro. Andava pelas ruas com um frio na barriga. Treinando o que dizer caso cruzasse Caroline numa calçada daquelas ou num dos elevadores com espelho de cristal do Principado, que gentilmente leva os pedestres de uma rua a outra naquelas que são sem dúvida as ladeiras mais chiques do mundo. Mas, que nada. O máximo que me aconteceu foi cruzar o Príncipe Philip, meu “cunhado”, na cerimônia de abertura do Palácio do Festival.
No dia de hoje, Caroline faz 50 anos. Apesar dos solavancos, sempre se casando com as pessoas erradas essa Caroline, sua beleza resistiu com elegância à passagem do tempo. Na essência continua com a mesma fúria e tristeza nos olhos dessa foto acima de Helmut Newton, década de 70.
Me conforta saber que o velho Rainier pensou em garantir que Caroline enfrente a segunda parte da sua vida com algum conforto. Separou $ 985 milhões de Libras Esterlinas de herança para a bela. É dinheiro. Mas, tenho certeza, não o suficiente para preencher o vazio no coração da moça.
Feliz aniversário, dear C.
Escrito por Marcelo Tas às 09h27