No meio dessa zoeira federal, eis que surge na última sexta-feira o beletrista maranhense Zé do Sarney. Ele publica no jornal Folha de S. Paulo um texto “comemorando” os 40 anos do PMDB com a intenção despudorada de jogar confetes em si mesmo. Para tanto, cometendo alguns pecadinhos, umas mentirinhas aqui, outras acolá. Tapei o nariz, aguardando a fedentina cessar, respirei fundo, contei até dez, mas não passou… Então escrevi a carta abaixo ao Painel do Leitor da Folha, que não foi publicada. Vai então o post abaixo para quem se interessar sobre o assunto. Alô povão do Maranhão, alô povão do Amapá (até para lá o cara se mandou para não soltar o osso que rói há 52 anos de vida nas tetas federais), vocês precisam aposentar esse picareta dessa vez. A eleição está aí, poxa.
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SARNEY COMEMORA O QUÊ?
O artigo do Sr. José Sarney, na Folha de ontem, “comemorando” os 40 anos do PMDB é uma agressão à trágica História do Brasil.
Com a costumeira escrita confusa de sempre, o senador tenta nos vender a lorota da atuação política dele no PMDB e na antiga UDN. Curiosamente, na cronologia histórica de sua vida pública flácida, o senador pelo Amapá (apesar da atuação dele se concentrar, e como, no Maranhão) omite sua inesquecível participação na ARENA, partido que deu suporte à ditadura militar. E depois no PDS, de Paulo Maluf.
Também comete a atrocidade de dizer que foi “o presidente da República do PMDB.” Quando todos sabemos que Sarney se tornou vice de Tancredo justamente por conta da sua habilidade política como principal líder e articulador da Frente Liberal, o germe do atual PFL de ACM e Bornhausen.
Na verdade, o Sr. Sarney é um surfista. Uma espécie de radical de centro. Está há 52 anos surfando, o mais próximo possível, a doce onda do poder. Nem tão próximo para se responsabilizar pelos encargos; nem tão longe para deixar de se lambuzar no farto banquete das delícias federais. Sarney apoiou a ditadura, apoiou Tancredo, apoiou Itamar, apoiou FHC e agora apóia Lula. É um oportunista frio, metódico e aplicado.
O texto do Sr. Sarney é uma afronta à inteligência dos leitores da Folha. Do alto de sua desfaçatez, o velho político maranhense parece não acreditar nem na existência do Google, onde todas as mentiras dele se evaporam num clique com uma simples consulta aos documentos históricos das Universidades e até mesmo do Congresso Nacional.
Escrito por Marcelo Tas às 08h00