O encontro do jovem autor Ishmael Beah, 26 anos, de Serra Leoa com Paulo Lins (Cidade de Deus) ajudou os brasileiros presentes na Flip a enxergar nosso isolamento do mundo e cotidiano violento em perspectiva.
Beah desconcertou a platéia com a doçura e clareza com que narra o cotidiano trágico de sua terra natal. Se disse feliz que depois de 8 anos de guerra civil em Serra Leoa, o mundo começa agora a receber a notícia com a ajuda do seu livro “Muito Longe de Casa”.
Para exemplificar como seu país é ignorado pelo resto do mundo contou sua história pessoal a caminho da Flip. Tanto no vôo de conexão em Londres, quanto na chegada ao Rio de Janeiro, os oficiais da alfândega não conseguiram encontrar o nome do país no sistema de ambos aeroportos.

Na última mesa da Flip 2007, Paulo José, Mario Bortolotto e Bosco Brasil falaram de teatro e literatura. Ou da crise do teatro que já dura “uns cinco mil anos”, segundo eles.
Foi a única mesa que presenciei que não tinha lotação completa do auditório. Em compensação foi a única aplaudida de pé ao final.
Os palestrantes discutiram como o preconceito e a ignorância ainda corroem a arte de Shakespeare. Bortolotto lembrou que quando um ator é canastrão ou não se dá bem na TV ou no cinema, se diz: a interpretação dele é muito “teatral”. Que deveria ser descrita simplesmente como ruim, segundo o autor.
Bosco Brasil completou que o contrário acontece diante de uma bela imagem, que costumamos descrever como “cinematográfica”.
Escrito por Marcelo Tas às 19h35