
Já que estou de dieta, evitando ter contato com as banhas fartas e ignorâncias idem daquele partido cada vez mais partido, abro espaço aqui para importante pronunciamento do “cumpanheiro” Tarso Genro. Longe do governo, e da “pinga” do poder, nos brindou com um excelente depoimento sobre o “cumpanheiro” cassado Zé Dirceu. Vale a leitura.
PS: quem tiver interesse na íntegra, clique: http://www.pt.org.br/site/artigos/artigos_int.asp?cod=949
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Cassação de José Dirceu
Não acho correto que se aproveite a cassação do ex-ministro José Dirceu para ressaltar as virtudes revolucionárias (próprias ou não) de pessoas ou de tendências. Sou adversário das posições que conheço do ex-ministro José Dirceu, no que refere à métodos de direção, à forma isolada e centralizada (pouco democrática) com que ele geriu as políticas de governo na Casa Civil e mesmo com que coordenou as políticas no PT, enquanto era presidente. Sua postura alterou-se sensivelmente depois do caso Waldomiro, o que ajudou – por exemplo – que o PT no governo, com o seu apoio, ganhasse a batalha da PEC do Fundeb. Foi uma das mais significativas iniciativas de qualquer governo, na área da educação, nos últimos cinqüenta anos.
Acho que o ex-Ministro José Dirceu cometeu erros graves, de natureza política, em vários momentos. O principal deles foi tomar decisões importantíssimas, dispensando a mediação partidária transparente e considerando irrelevante a escuta de quadros com maior experiência de gestão e maior conhecimento da máquina pública. Experiência e conhecimento que ele carecia.
Esta deficiência sua foi clara, na sua passagem pela Casa Civil. Os quadros a que me refiro, poderiam ter colaborado para uma qualificação das ações da Casa Civil e poderiam ser encontrados inclusive dentro da própria “Articulação” – corrente do ex-Ministro – que é um bom manancial de gestores experimentados. O ex-ministro, porém, agiu sempre de forma auto-referente e com baixa capacidade de escuta.
O ex-ministro José Dirceu deve responder, como qualquer um de nós (se tivermos posições de relevância e cometermos impropriedades) dentro e fora do partido. Se cometeu violações legais ou estatutárias, tudo deve ser apurado, responsavelmente, mas o fundamental é que o partido supere o tipo de direção unipessoal e mítica, que ele representou. Este tipo de direção, independentemente das intenções do próprio líder, leva para o autoritarismo, para a irrelevância das instâncias e para o uso de métodos que fazem pensar que os “fins justificam os meios”, a velha máxima que foi uma tradição dominante no bolchevismo no poder.
Tarso Genro foi ministro da Educação até julho de 2005, quando assumiu a presidência interina do PT até outubro deste ano.
PS2: E atenção “cumpanheiros”, a campanha para arrecadar um goró para os cofres do partido deu num retumbante fracasso. Vamos colaborar aí gente! Acesse a lojinha na internet (pict acima) e leve pelo menos uma lembrancinha. É um excelente presente de amigo oculto. Aliás, bota oculto nisso…
Escrito por Marcelo Tas às 07h58