E atenção queridos estudantes do meu Brasil: tá chegando o vestibular do meio do ano!
Hora daquela tensão de motorzinho de dentista.
Desta vez, uma novidade: universidades em todo país discutem se devem ou não adotar o sistema de cotas especiais para:
a> negros
b> pardos
c> índios
d> pobres (estudantes de escola públicas)
e> nenhuma das anteriores.
Polêmica das boas. Na hora da entrevista para o IBGE apenas 6% dos habitantes desse nosso Brasil se declaram negros. Mas na hora de aproveitar as cotas especiais pra facilitar o vestibular já tem gente mudando de cor, que nem o Hulk.
Ricardo Zanchet, 19 anos (o branquelinho aí sendo fotografado no ato da inscrição do vestibular), tenta pela terceira vez uma vaga no curso de Química, na UNB- Universidade de Brasília. Só que desta vez, se declarou negão. Quer dizer, quase negão: pardo!
“Existem 200 tipos de negros. Se eu não for aprovado, recorro à Justiça”, disse ele que é contra a reserva de 20% de vagas para negros na UNB- a primeira universidade federal a adotar a medida.
E tem mais polêmica. A Unicamp decidiu que no vestibular 2005 dará 30 pontos extras para quem tiver estudado 3 anos ou mais em escola pública. E quem se auto declarar negro, pardo ou índio, ganha 10 pontos a mais. Metade dos pontos possíveis da prova de Redação, por exemplo.
Uma coisa é certa: De todos os brasileiros com curso superior, apenas 14% são negros. E a desigualdade racial nos cursos mais procurados, como medicina, direito e odontologia chega a 80%.
E tem aquele probleminha: o preconceito racial brasileiro (que existe sim senhor). Em Fevereiro deste ano, duas semanas depois de se formar dentista, Flávio Ferreira Santana foi barbaramente assassinado por cinco policiais militares de São Paulo. Que até armaram uma farsa para tentar provar que ele era um bandido.
A ONU também nos aponta como um dos cinco países com a maior desigualdade social do mundo. Atrás apenas da Namíbia, Botswana, Serra Leoa e Suazilândia. Ironicamente todos eles países dos confins mais pobres da África.
Como sair desse vexame? Será que a cota do vestibular resolve? Como dizer quem é preto, índio, pardo ou louro nesse país de misturas tão diversas e sensacionais.
Você é contra ou a favor do sistema de cotas nas universidade? Para participar da discussão do tema no Jornal da Cultura, deixe seu comentário aqui.
Escrito por Marcelo Tas às 23h45
