
A crise financeira provoca também crises de nervos. Algumas bastante reveladoras. Depois de circular apenas no meio publicitário, desponta na web um debate que se transformou num autêntico telecath. No último dia 9 de Outubro, o que era para ser apenas mais um painel do evento MaxiMídia intitulado “Indústria da Comunicação – Oportunidades e Riscos” se transformou num duelo verbal sangrento entre os mega publicitários Nizan Guanaes x Fábio Fernandes.
Untitled from fabio x nizan on Vimeo.
Dei uma busca pelas tags- Nizan x Fernandes MaxiMidia- no Google e encontrei 948 ocorrências. A edição em video acima, apesar de evidentemente tendenciosa em desfavorecer Nizan, oferece um bom resumo da ópera. O pega-pra-capar já foi visto mais de 20 mil vezes.
Este blog também teve acesso aos e-mails disparados pelos dois titãs, Nizan e Fábio, na intranet de suas empresas após o confronto: respectivamente Grupo ABC e agência F/Nazca. Trata-se de uma faísca que num certo nível revela com precisão o drama coletivo e individual com a crise financeira que surge como um pop up sinistro diante de nossos olhinhos cansados.
O que fazer com a crise? Procurei assistir ao embate dos dois comunicadores com serenidade e ouvidos de aprendiz. Será que o confronto pode nos dar alguma pista? A quem interessar possa, aqui vão minhas anotações.
Nizan prega o medo, a avareza (“até com as mixarias”), a agressividade para competir e comprar os concorrentes e, last but not least, não inventar nada de novo. Diz que é hora de usar fórmulas conhecidas para combater o dragão que supostamente nos devorará a todos muito em breve. Fábio, que se auto intitula ingênuo, professa criatividade e inventividade para sair da crise. Diz, no e-mail interno que enviou aos seus funcionários, que quem se vale de grana para fazer barulho na mídia está desesperado. Numa evidente estocada em Nizan. E que só sobreviverão os que tiverem talento para ter boas idéias que gastem pouco e rendam o máximo na memória do consumidor.
Usando de sua possante oratória baiana, no e-mail pessoal aos funcionários do grupo ABC, Nizan usa candidamente a seguinte expressão para se referir ao momento atual: “holocausto financeiro”. Pede prudência e adiamento nos gastos, mas informa que tem “100 milhões” no cofre dele para partir para cima e “comprar concorrentes”.
Well, diante de tantos insights e movimentos internos que este debate franco e transparente, coisa rara no Brasil, me provoca, fica apenas uma certeza. Se por um acaso do destino (atenção: isso não é um desejo, nem estou disponível!), eu fosse convocado por ambos titãs para trabalhar na firma deles, teria apenas uma opção: aceitar o convite do Fábio.
E você, o que vai fazer diante do “holocausto financeiro” decretado por Nizan?

Fotos: Maximidia.
Escrito por Marcelo Tas às 10h58