Já está na TV a nova campanha do governo: o melhor do Brasil é o brasileiro.
Bonito. O craque Ronaldo, Herbert do Paralamas… gente que ralou para dar a volta por cima.
O objetivo da campanha é “resgatar a auto-estima” do brasileiro, que pelos números anda mal das pernas.
Pesquisa do instituto Latinobarómetro diz que somente 4% dos brasileiros confiam em seus compatriotas. Contra 21% dos bolivianos e 36% dos uruguaios.
Pra tentar reverter o baixo astral, o próprio presidente Lula compareceu ao lançamento e confirmou com sua voz metalúrgica o tema da campanha: “o melhor do Brasil é o brasileiro.”
Aí eu fiquei pensando: o Brasil é esse país lindo, cheio de riquezas minerais, praias, mulheres sensacionais, sem terremotos, nem furacões… e se além disso tudo, o melhor do Brasil é o brasileiro, então… ué, gente… então porque isso aqui não dá certo?!!
Você sabe me responder? Se o melhor do Brasil é o brasileiro, então qual é o pior do Brasil? É, porque alguma coisa ruim deve ter nesse país.
Olha o que alguns brasileiros ilustres já indicaram:
“Muita saúva e pouca saúde, os males do Brasil são”, é a explicação de Macunaíma, o herói sem caráter, de Mário de Andrade.
Monteiro Lobato concordou: “ou o Brasil acaba com a saúva, ou as saúvas acabam com o Brasil.”
Mas será que o problema do país são as formigas? Não! “O Brasil é feito por nós. Agora só falta desatar esses nós”. Dizia o Barão de Itararé.
Gringos cabeçudos também já tentaram nos ajudar a entender o mistério:
Deus é brasileiro, mas se mudou para os Estados Unidos.” Thomas Skidmore, professor e pensador norte-americano.
“O Brasil não é um país doente. É um país bêbado, é diferente.” Da prestigiosa e metida revista inglesa The Economist.
“O Brasil corre o risco de ficar obsoleto antes de ficar pronto.” Do antropólogo francês Claude Lévi-Strauss.
E você, querido internauta: se o melhor do Brasil é o brasileiro como diz a campanha do governo, o que temos o pior: preguiça, calor, bicho-de-pé? Afinal, qual é o nosso problema?
Clique aqui que na quinta eu volto com a sua opinião no Jornal da Cultura.
Escrito por Marcelo Tas às 18h15