Vai começar a festa da democracia: Eleições Municipais 2004.
Voto livre, debater as propostas dos candidatos…
Piiiiiiii
… expressar livremente. a nossa opinião…
Piiiiiiii Piiiiiiiiiiiiiiii
Agora, em época de eleição é assim. A lei eleitoral deixa a mídia de bico calado. Como na época da ditadura.
Em 1974, com medo de perder as eleições municipais para a oposição, o governo do Gen. Geisel baixou decreto para controlar os meios de comunicação! Era a lei Falcão que limitava de uma maneira ridícula a palavra dos candidatos.
Funcionava assim, um candidato qualquer, por exemplo: o Sr. Madruga. Só podia aparecer na TV uma foto 3 x 4, acompanhada por uma voz que lia o curriculum dele. Bem resumido.
“Vote Sr. Madruga, pai dedicado de Chiquinha. Vive de bicos. Tem apoio do amigo Chapolin. Contem com sua astúcia. Obrigado.”
Depois vieram os anos 80. Milhões nas ruas pelas diretas. Vitória da democracia! Liberdade. Os repórteres podiam fazer perguntas diretas para os candidatos. Debates na TV, ao vivo. Horário eleitoral sem censura.
Mas aí entraram em cena os super marketeiros.Os programas politicos viraram superproduções. Os candidatos, heróis de hollywood!
Para evitar esses excessos. E dar oportunidades iguais a todos, foi criada em 1997, a tal Lei Eleitoral. A intenção até que era boa. Só que para defender a democracia a lei agrediu a liberdade de expressão. Olha só.
1) É proibido difundir opinião favorável ou contrária a candidato, bem como dar tratamento privilegiado a partido ou coligação.
Isso é muito subjetivo. Quando um candidato vai ao programa de rádio e TV do amigo apresentador, o que se pode esperar? Não é melhor permitir que todos meios de comunicação falem de política livremente, e assim você decide em quem acreditar?
2) É vedado às emissoras de televisão, usar montagem ou outro recurso de áudio ou vídeo que ridicularizem o candidato.
Ou seja: humoristas não podem fazer humor. Ninguém pode ser criticado. Senão aparecem os super advogados dos políticos e processam jornalistas ou quem quiser emitir um pensamento ou opinião.
Só que enquanto isso no horário gratuito os supermarketeiros usam e abusam dos efeitos de áudio e vídeo pra convencer você, eleitor, que o todo candidato é sensacional! Mas não era isso que era proibido?
Debates só com todos candidatos presentes. Olha, só em S. Paulo são 14 candidatos. E dá pra juntar esse povo todo no mesmo dia, num só programa? E como tirar alguma coisa que se aproveite desse bate-boca?
É, meus caros eleitores e eleitoras, a lei eleitoral de 97 tirou e muito a beleza e liberdade do embate democrático. O que fazer? Voltar a Lei Falcão? Libera geral? Ou vamos colocar os candidatos na casa do Big Brother e votar pelo telefone ou internet?
Clique aqui. Na quinta eu volto com a sua opinião no Jornal da Cultura.
Escrito por Marcelo Tas às 00h09