
Não tenho forças agora para entrar nessa discussão da proposta de criação de uma nova TV Pública ligada ao Executivo Federal. Ai, ai, ai… vou tentar ser breve.
Mas, vejam vocês. Ontem à noite, escapei da minha vigilante enfermeira e consegui ver na TV uma declaração do Ministro da Secretaria Geral da Presidência da República Luis Dulci: “queremos o modelo da TV italiana RAI para a TV Pública do presidente Lula. Lá na Itália, que tem uma excelente TV Pública, quem indica o diretor de programação da RAI é o primeiro ministro, que foi eleito pelo povo.”
Ai, ai, ai…
Dois pontos curtos porque minha saúde não permite eu me alongar agora nesse assunto importante. Primeiro, ter a “qualidade” da RAI como meta é realmente assustador porém discutível. Tem coisa pior por aí. Mas a programação da RAI, vamos dizer assim, não é flor que se cheire.
Segundo: querer explicitamente o modelo Berlusconi de TV Pública para para o Brasil é um acinte à nossa inteligência. Um retrocesso à tudo que foi conquistado à duras penas nas poucas TVs realmente públicas ainda muito frágeis que resistem à pressão dos governos no Brasil.
Na Itália, por conta desse modelo monstruoso de acúmulo de poder, durante anos o primeiro ministro italiano- dono de dezenas de veículos de comunicação- se tornou uma espécie de Mussolini eletrônico. Até ser finalmente posto para fora afundado em escândalos. Muitos deles vinculados ao seu monopólio de comunicação. Gente, isso é evidente. Ou será que estou com febre?
Há que se aplaudir a aparição do ministro num programa ao vivo para discutir o assunto (“Observatório da Imprensa”, veiculado pela TVE do Rio de Janeiro, ontem terça, as 23h00). Mas o frustrante é que no programa ninguém questionou o absurdo da proposta berlucônica do ministro. Vou torcer para que seja por falta de tempo ou inspiração dos participantes do debate. Não quero acreditar que a TVE do Rio não seja suficientemente pública para questionar esse absurdo.
Caricatura de Jean Gouders (www.cartoonboeken.nl)
Escrito por Marcelo Tas às 09h35