
A cratera continua trazendo surpresas à tona. O Estadão de hoje traz a notícia de que o office boy, de 60 anos, a sétima vítima a ser retirada do buraco, tinha nos bolsos 13 papelotes de cocaína.
E se você pensa que já tinha visto todas as imagens da tragédia clique no Fotogarrafa. Marcelo Min, repórter fotográfico de rara sensibilidade e coragem, postou no seu blog imagens tão surpreendentes quanto a descrição do seu dia debaixo da terra com bombeiros e operários.
Marcelo tem nas veias o sangue dos repórteres “antigos”, old fashion, aqueles pré modinha Cut & Paste.
Fala aí, Min:
“Ao sair de casa, pedi emprestado o capacete que o zelador usava e quando vi já estava lá embaixo. Na quinta-feira, 18/01, consegui registrar o trabalho de resgate dos bombeiros mas fiquei impressionado mesmo foi com a coragem dos operários.
Adivinha quem é que fica na linha de frente arriscando o pescoço e operando todo o maquinário? Já que havia uma brecha na segurança do local e já que pessoas haviam morrido por causa de uma grande cagada na obra do Metrô, achei legítimo tentar entrar no tunel e acompanhar tudo bem de perto. Consegui.
Havia muita lama, um zumbido incessante, as paredes tremiam, o ar era pesado mas tragável. Assim que os operários soltaram um poste que prendia a van, o automóvel, esmagado, escorregou e o ar tornou-se de morte. Era para eu ter ido embora. Mas a expectativa não me deixou.
Apareceram mais quatro bombeiros com uma serra elétrica, todos paramentados. Mencionei fazer uma foto deles, fizeram pose, perguntaram para onde era a foto, para documentação foi o que respondi. Um dos que tinham cara de engenheiro foi logo me expulsando. Aqui não tem documentação! Bem diferente da reação de um dos operários que assim que me viu com a câmara disse, olha registra mesmo. Tira um monte de fotos…
Enfim, terminei o dia na delegacia acusado de desobediência. Os policiais apagaram todos os arquivos, formataram, fizeram o diabo mas como era o meu dia de sorte consegui resgatá-las para publicá-las na Revista Época e aqui no Fotogarrafa também.
Escrito por Marcelo Tas às 13h26