O que sobrou de mim está aqui para contar. Ontem, um sonho se realizou e de uma forma totalmente absurda. Um amigo pernambucano havia me convidado para participar de um maracatu. Como sei da brincadeira séria que é o maracatu, combinei de ficar numa ala ou posição bem simplinha. Meu amigo é o professor Silvio Meira, cientista-chefe do C.E.S.A.R (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife). Como o cargo e a instituição do cara indica, pensei que ele ia me poupar. Qual o quê. Quando cheguei ontem para assumir meu posto, a turma havia me colocado simplesmente de cabloco-de-lança.
Pra quem não sabe é aquela figura cabeçuda que vai com uma lança abrindo espaço pro maracatu no meio das ruas abarrotada de gente, como esse aí da foto, retirado do site Quatro Cantos.
Foi uma viagem. O maracatu tem um batuque que vai te conduzindo aos poucos. É como estar num mar. Numa onda. E ainda tem a brincadeira com a lança e o privilégio de ficar escondido dentro dessa perucona e ser o primeiro a observar o olhar maravilhado das pessoas com a aproximação do maracatu.
Como você vai na frente, também virei alvo de muitas perguntas técnicas complicadíssimas de turistas e também de recifenses. Querem saber de tudo. Por exemplo, se somos um maracatu rural ou de baque-virado. Pedi ajuda aos meus parceiros e tive um intensivão de maracatu.
Foi um grande mergulho. Uma grande emoção. Uma estréia no carnaval pernambucano pra levar pro resto da vida.
O título do post é o nome do maracatu: A Cabra Alada. Não falei que era uma viagem?
Ah, e a Cabra Alada é de baque-virado. O do tipo mais antigo. O outro, o Rural, é de baque-solto. Isso tem a ver com as viradas dos tambores. Mas aí já é muito sofisticado para minha condição de recruta do maracatu.
Escrito por Marcelo Tas às 23h11
