
A imagem acima não é a cara do nosso tempo: não linear, cruel e ao mesmo tempo criativamente caótico? É a cara do derretimento de todas as fronteiras, inclusive a que separa a realidade da ficção, a ciência da filosofia e o cotidiano do absurdo. Em Mianmá, ex-Birmânia, monges lideram passeata de mais de 100 mil pessoas pelas ruas da capital do país.
O governo militar que comanda a ex-colônia inglesa há mais de 20 anos, está encurralado. Segundo as agências internacionais, o protesto dos monges começou a ganhar substância quando os manifestantes receberam permissão para passar diante da casa de Aung San Suu Kyi, líder do movimento democrático que é mantida em regime de prisão domiciliar. Ela acenou para os manifestantes em sua primeira aparição pública em mais de quatro anos.
Suu Kyi passou 11 dos últimos 18 anos presa. Em 1990, o partido dela venceu as eleições, que foram imediatamente anuladas pelos milicos. Ela nunca pode assumir o governo. Está presa até hoje!
O impasse é grave. Os monges são muito respeitados no país de 50 milhões de habitantes. Os correspondentes internacionais temem pelo pior, um desfecho parecido com as manifestações de 1988 quando cerca de 3 mil pessoas foram executadas em plena rua.
Escrito por Marcelo Tas às 13h29