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A princípio, tive enorme dificuldade em entender a manchete da Folha de ontem: “Publicidade ajuda a bancar TV de filho de Lula”.
Depois, quando os meus olhos finalmente acreditaram no que viam, uma enorme barulho em torno de uma “não-notícia”, fiquei envergonhado pela Folha e resolvi não comentar.
Nada como 24 horas para apurar o discernimento.
Triste ver a Folha se perder desse jeito. Tratar uma edição esquizofrênica de informações pouco significativas como um “furo jornalístico”. Seria patético não fosse grave.
Vocês sabem, para mim, é difícil comentar sem despertar “suspeitas” dos aloprados de plantão. Lembram-se? Segundo aquela-revista-que-me-dá-um-certo-nojo-dizer-o-nome (atualmente apenas um pequeno nojo, já que ela anda tão rala, definhando em número de páginas e energia vital, que o nojo vira uma certa peninha), sou um “Blogueiro Chapa Branca” em defesa do filho do presidente em troca de dinheirinho.
Pois é, como alguns cogitam que ganho uma grana do Lulinha, me deu uma certa preguiça voltar a esse assunto tão vazio quanto sem importância para mim. Então Luis Nassif escreveu no blog dele tudo aquilo que eu queria dizer. Deixo a palavra com ele.
Texto tirado do blog luisnassif.com.br
28/11/2006 09:21
Dos fatos e das manchetes – 2
Manchete da “Folha” de hoje: “Publicidade oficial ajuda a bancar a TV do filho de Lula”. No primeiro parágrafo da manchete a informações de que “a Gamecorp (…) divide com o Grupo Bandeirantes o faturamento obtido com verbas federais em anúncios na Play TV”.
Diluídas nas páginas internas as seguintes informações:
1. Todas as informações foram fornecidas pela própria Bandeirantes, no processo que move contra a Editora Abril. O juiz tirou o segredo de justiça, e o repórter pode consultar os autos e selecionar as informações a serem destacadas na matéria.
2. Internamente, pela matéria fica-se sabendo que contrato da Gamecorp com a Bandeirante prevê a divisão em 50% de toda a publicidade arrecadada. Não há uma cláusula especial para publicidade de órgãos públicos, conforme sugere o texto destacado da primeira página. Internamente, artigo de Daniel Castro, o crítico da TV da “Folha”, informa que esse tipo de contrato é comum no mercado.
3. O infográfico mostra que a PlayTV deverá faturar R$ 5,2 milhões em 2006, e que o Banco do Brasil e a Caixa estao entre os maiores anunciantes (provavelmente estão entre os maiores de qualquer emissora ou editora). Quando se entra nos valores (perdidos no meio do texto), fica-se sabendo que, em 2006, as verbas federais para o PlayTv foram de R$ 597 mil, ou 11% do faturamento previsto, e 68% inferiores à publicidade oficial em 2005, ano em que a Gamecorp ainda não participava do faturamento do Canal 21.
4. Na defesa, feita pelo advogado Walter Ceneviva, fica claro que a PlayTV concorre diretamente com a MTV, da Editora Abril, que iniciou a campanha contra a Gamecorp.
5. A matéria envereda, assim como a “Veja”, em ilações sobre anunciantes privados. A intenção da “Veja” é intimidar esses anunciantes privados com o tom de escândalo conferido às matérias, sufocando a empresa por vias indiretas. A “Folha” acaba embarcando nisso, embora não seja de seu feitio.
6. Ao contrário da “Veja”, historicamente a “Folha” fornece todas as informações. Só que, ao se juntar todas as peças, não se encontra o todo anunciado na primeira página.
PS: A manchete da Folha de hoje: “Bancos lideram doações a Lula”. Dentro da reportagem ficamos sabendo que o valor das doações dos bancos à campanha petista- R$ 10,5 milhões- é exatamente o mesmo das doações dos bancos à campanha de Geraldo Alckmin. Afinal, o que quer nos informar a Folha?
Escrito por Marcelo Tas às 23h58