http://www.youtube.com/watch?v=e6-A9dx0V5M&feature=player_embedded
Voar para mim, e para quase todo mundo, sempre é um momento de encantamento. Mesmo para quem tem medo ou não gosta, os dias velozes que vivemos transformaram o avião numa necessidade. O antigo pássaro de prata, privilégio de poucos, virou transporte de massa.
Não é preciso ser nenhum gênio ou especialista para constatarmos que esta é a maior crise de comando na história da aviação civil no país. Simplesmente, é algo inadmissível. “Apagão aéreo” é pouco, uma expressão caridosa para extrema irresponsabilidade do governo em sonegar informações honestas e precisas sobre a situação de risco que milhares de brasileiros se submetem todos os dias. A maioria deles, homens e mulheres responsáveis pela movimentação da economia.
É tanta desinformação, que somos obrigados a virar garimpeiros de notícias, militantes de balcão nas companhias aéreas, mendigos de informações confiáveis nas pouquíssimas vezes em que autoridades ou os próprios controladores de vôo- geralmente na penumbra com vozes modificadas- falam à imprensa.
O Ministro da Defesa Waldir Pires, que começou sereno e confiável que ia debelar a crise, já se desgastou e se desmoralizou. Ninguém suporta mais a calma dele diante do risco iminente que é pegar um avião ou mesmo se dirigir a um aeroporto. Por que esse silêncio?
O que sabemos até agora?
Vou elencar os fatos que consegui coletar ao longo dessas semanas de crise:
1- A aviação cresceu significativamente nos último cinco anos (ninguém precisa ser especialista para ver o fato, basta ter pego avião nesse período em qualquer aeroporto brasileiro)
2- A distância vertical entre os aviões diminuiu de 2 mil para 1 mil pés- cerca de 300 metros (para acomodar o aumento dos vôos)
3- No Brasil, o número de controladores de vôo permaneceu o mesmo, cerca de 2.800.
4- Apesar de relativa melhora e atualização no final da década de 90, no Brasil as condições técnicas não são as mesmas de países com o mesmo número de pousos e decolagens. Enquanto no Brasil um controlador chegava a controlar 20 aviões simultaneamente, nos EUA, cada controlador vigia no máximo seis.
5- Os controladores de vôo ganham pouco comparado a responsabilidade (80% são sargentos especialistas da Aeronáutica: soldo em cerca de R$ 2 mil, comparados com R$ 4 mil das aeromoças ou R$ 10 mil dos pilotos).
Contribuições de vocês são bem-vindas, afinal diante da desinformação oficial do governo, que é o responsável pelo serviço, nós, a sociedade, estamos mendigando informações de qualidade.
Fontes: revista Época, Sindicato dos Aeronautas (www.aeronautas.org.br), The New York Times, Folha de S. Paulo, blog do jornalista Claudio Humberto, Aeroforums (aero.forums.com.br).
Imagem: artista Aaron Koblin, sobre movimentação aérea nos EUA.
Escrito por Marcelo Tas às 10h54