
Não há o que criticar sobre o julgamento e absolvição de Renan Calheiros. Foi tudo dentro da lei. O resultado é perfeitamente legítimo. O senado envia uma clara mensagem a todos nós: queremos Renan, somos como ele sem tirar nem por.
O presidente do Senado conseguiu escapar da primeira bateria de evidências de sua conduta irrepreensível ao lidar com vacas atoladas, lobistas e laranjas com o apoio de figuras emblemáticas da hipocrisia que domina a cena política do planalto central da estatura moral dos anões de bigode José Sarney e Aloísio Mercadante.
Jornalistas que conseguiram furar e ouvir parte da sessão relatam o grau de sinceridade com que o alagoano, ex-braço de direito de Collor (que não compareceu), jogou na cara de todos: “Mas se vocês todos fazem o que eu faço, por que querem me ejetar daqui sozinho? Olha lá cambada, que eu levo pelo menos uma meia dúzia comigo…”
Claro que sua Excelência não usou essas palavras, mas sim outras muito mais lustrosas e acetinadas. A mensagem porém é essa. Renan é a cara do Senado. O Senado é a cara de Renan. Não tem mesmo o que mexer. Até porque se mexer, como nos diz a sabedoria popular, fede.
Foto: arma de choque elétrico usada pelos seguranças para conter alguns deputados, entre outros Fernando Gabeira e Raul Jungman, que tentavam sem sucesso protestar contra o a continuidade do reinado de Renan.
Escrito por Marcelo Tas às 07h05