
A tão esperada atração da Flip: a aparição do Prêmio Nobel que não dá entrevistas, o sul-africano J.M. Coetzee, se tornou uma frustração. O escritor permaneceu imóvel, de pé num púlpito, por uma hora, lendo trechos do seu novo livro, “Diário de um Ano Ruim”. Não permitiu a presença de um mediador, nem perguntas da platéia.
Será que é minha implicância ou vocês são capazes de me dizer que intenção tem um autor recluso em se deslocar até o Brasil e não se permitir a ouvir seus próprios leitores? Mais, para que se aventurar a ler um texto se ele próprio não tem bagagem dramática ou mesmo vocal para fazê-lo de forma adequada (lembro que a leitura não se limitou a um trecho curto da obra, como os outros autores regularmente fazem na Flip: a leitura monocórdia durou cerca de UMA hora!)? Consegui permanecer exatos dezoito minutos na sala (para vocês verem como eu tentei).
Feita a ressalva da qualidade estupenda do texto, diria até mesmo da genialidade do autor, o Prêmio Nobel de Literatura de 2003 vai levar deste humilde blog o prêmio de mesa mais chata da sensacional Festa Literária que se encerra hoje em Paraty. O grande “flop” da Flip 2007.
Ele merece.
A platéia resistiu muda e impávida até a última sílaba. Será que o meu colega repórter Nelson Rodrigues tem razão quando diz a unanimidade é burra?
PS: Depois de escrever esse texto pela manhã, gente pela rua veio falar comigo dizendo que concorda com a tese: o monólogo do grande Coetzee foi chato pra dedéu.
PS2: Fica aqui uma sugestão respeitosa à sensacional organização da Flip, não aceitar esse tipo de exigência.
Escrito por Marcelo Tas às 09h23