
O que dizer da melancólica aparição de José Dirceu?
Antes, grão-duque do governo (Articulação Política + Casa Civil!). Agora, um homem murcho que nada sabe. A culpa é da imprensa. A culpa é dos outros partidos. A culpa é do Delúbio.
Para o Zé, não existe mais nenhum sonho. Não existe o Brasil. Só existe uma pálida lembrança do seu abrigo psicológico chamado PT. Evidentemente, ZD é um homem em curto circuito existencial. Não tem memória ou emoções a compartilhar. É um hard disk sem software. Uma samambaia de plástico.
Não é à toa que o único momento vivo, de verdade, de todo o show, foi uma gargalhada! Justamente quando Zé afirmou que nunca foi arrogante na vida.
Ha, ha, ha… Veja que interessante, meu caro Zé, sua mentira atingiu o grau de uma obra de arte. Por isso, você foi premiado com o troféu só concedido aos grandes comediantes: o riso da platéia. Lembrei de Freud: o riso é uma faísca que surge do insight. A platéia ri do prazer do cair da ficha. De ter compreendido algo até então nebuloso trazido à tona pelo comediante. Aqui no caso, de forma involuntária.
Assistindo trechos do show (não consegui ficar mais do que alguns minutos seguidos sem ter que sair da frente da TV com vontade de vomitar) na companhia de dois amigos roteiristas de TV, a única conclusão é que não me sinto representado ali por aqueles senhores. A começar pelo vacilante Izzar, presidente da Comissão de Ética, palavra que não combina com o semblante e gestos daqueles que lá estavam.
Mas discordei deles, dos amigos, e de quem disser que a política brasileira não avança. Estamos caminhando, apesar do nojo diante desses fatos. Mas o avanço tem que ser olhado com distanciamento de pelo menos um século. E não se iludam, a política, assim como a qualidade de vida, as diferenças sociais, as injustiças, a miséria criminosa do povo, só vai melhorar com o avanço da educação. Aqueles senhores barrigudos, cutucadores de titica de nariz, que não merecem um segundo da nossa atenção, são um produto da educação brasileira. São compatíveis com a escola que é oferecida aos nosso povo. Se não melhorar do lado de cá, não melhora, mesmo, do lado de lá.
Deus é brasileiro. Mas anda muito cansado. Não pode fazer um milagre por dia.
Escrito por Marcelo Tas às 08h10