Especialmente no período eleitoral fica evidente um dos óbvios ululantes brasileiros: a cara-de-pau dos políticos não tem limite.
Hoje, teve um que passou da conta. E ele nem tá concorrendo a nada. Tá com a vida ganha no governo Lula. Aliás ele está no governo há exatamente 50 anos.
Já apoiou a ditadura. Depois, quando o barco ia afundar, passou para o lado dos que apoiavam as diretas. Ofereceu alianças com a direita e emplacou uma boquinha na chapa da virada democrática brasileira. Para nosso azar, Tancredo morreu, ele virou presidente. Na sequência, apoiou FHC. Ao final do governo deste, passou a apoiar Lula. É um radical de centro.
Sim, crianças, é dele que estou falando. Do imortal José Sarney. Não por coincidência, o coronel do estado onde existe mais miséria e desigualdade em todos os índices sociais brasileiros: o Maranhão.
Na Folha de São Paulo de hoje ele manda essa (vou deixar só o trechinho inicial para poupá-lo dos marimbondos de fogo que voam de sua pena):
“Nestes últimos dias, curti minha insônia de estimação com especulações que, em vez de atrair o sono, o afastaram e ficaram remoendo soluções e caminhos.
Implantou-se na minha madrugada uma pergunta que é de todos: onde nos desviamos do caminho que vínhamos trilhando no século 20 com tanto brilhantismo e que se truncou numa avalanche daquilo que os franceses chamam de excesso de crises?
De repente veio-me a revelação que já deve ter acometido milhões de brasileiros ao longo das últimas gerações: o nosso grande fracasso foi a educação. Nunca fomos capazes de construir um modelo educacional para o Brasil.”
Ora, Sr. Sarney, poupe-me. Que história é essa de “nosso grande fracasso”? Seja homem, fale por si. Lamento levantar a suposição de que sua hora está se aproximando. O calor da grande fornalha do inferno já deve estar lhe incomodando o sono primaveril.
Dentro em breve, imagino que Vossa Senhoria vai ser obrigado a fazer aquilo que vinha evitando há bastante tempo: respirar fundo, olhar para dentro e parar de contar tanta mentira para si mesmo. Aí, sim, sua insônia de “estimação” virá para acordá-lo. Talvez para a vida eterna, amém.
..::..
Ufa, desculpem o desabafo. Precisava de dizer o que penso sobre esse homem tão mentiroso quanto a cor do seu bigode. Se você aí do outro lado, também está com um nó na garganta como eu estava, não se acanhe. Meta o dedo no teclado e me diga:
Que político que já passou da conta nessa época tão afeita a discursos que é o período da campanha eleitoral? Só faltam poucos dias para o primeiro turno. A quem vamos entregar o troféu cara-de-pau 2004?
Escrito por Marcelo Tas às 18h55