
Para quem não é de SP, o MASP, além do maior acervo de arte da América Latina, é um ponto de referência da cidade. Uma gesto de humanidade e beleza no meio da feiúra, ganância e objetividade dos arredores da avenida Paulista.
Localizado no cannyon financeiro da cidade, congestionado por bancos e seus lucros estratosféricos, o MASP teve a energia elétrica cortada por falta de pagamento. No momento oferece uma exibição preciosa de Degas. Recebe o público com geradores a diesel. O público apareceu. Ontem foram quase mil pessoas. Quem nunca comparece é o governo e a sociedade dita esclarecida, rica e letrada através de apoiadores e patrocinadores.
A atual direção do museu tem um projeto de construção de uma torre sobre o prédio vizinho. Abrigaria um lugar para se ver a cidade do alto. E infra para cursos e arquivo de obras de arte. Tudo pago por uma empresa já interessada. Seria uma fonte de renda. Mas tem grupos do próprio museu que seguram o projeto. Dizem inclusive que o atual diretor forçou o impasse elétrico para estimular uma resposta da sociedade, como esse post.
Bem além dessa provável briguinha de egos, a situação do MASP é um raio X do nosso descaso com a educação e a arte no Brasil. Assim como a recusa do Congresso em apurar o escândalo das sanguessugas das ambulâncias, deixar o MASP chegar a essa situação é uma vergonha para São Paulo e para o Brasil.
Escrito por Marcelo Tas às 08h55