
A cidade tenta voltar ao normal. Mas os sinais são muito evidentes. Passamos pelo nosso 11 de Setembro. Ao invés de fanáticos terroristas religiosos, fomos atacados pela nossa incompetência em lidar com a desigualdade social brasileira, esta sim criminosa. Os apressadinhos de plantão já querem transformar numa disputa eleitoral. PSDB, PT, teretetê… O buraco é mais embaixo, meninada. Vivemos anestesiados dentro da viagem na maionese. Acreditamos que se controi uma nação sem sangue, suor e lágrimas. Para não falar em cultura, educação, ética e a total impunidade dos preguiçosos que mamam o sangue das ambulâncias.
O Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo tem superlotação de cadáveres. Após 152 mortes oficialmente registradas, o IML pede autorização especial para liberar corpos antes do prazo legal que, segundo a Justiça, é de 72 horas.
“(A superlotação) é um problema sanitário, de decomposição (dos cadáveres). Não temos mais onde guardar. Os corpos não estão em local refrigerado”, disse, em entrevista ao jornal Diário de S. Paulo, o diretor do IML, Hideaki Kawata.
Neste momento, há 40 corpos sem identificação.
As autoridades negam que inocentes não foram mortos. Os fatos teimam em mostrar o contrário.
Foto: André Porto / Folha Imagem
Escrito por Marcelo Tas às 11h07