Raramente, o Blog do Tas é lugar de intimidades domésticas. Mas não posso deixar de dividir com vocês esse pedaço de festa do Oscar que chegou aqui ontem. É coisa do meu querido amigo Bráulio Mantovani, Oscar nominee, brilhante roteirista de Cidade de Deus. Cruzou o Peter Jackson no hall do Four Seasons Beverly Hills, hotel onde ambos estavam hospedados, e não teve dúvida: arrancou um autógrafo do hobbit para minha filha.
Luiza, um dos grandes amores da minha vida, já me ensinou muitas coisas do alto da riqueza de experiência humana dos seus 15 anos. Uma das boas foi me levar ao botequim onde Token conversava todos os dias com Lewis Caroll- sim, aquele da Alice no País das Maravilhas. Eu nem sabia que eles eram contemporâneos… Como assim, papai?! Enquanto um escrevia O Senhor dos Anéis, o outro Alice. De lambuja, o botequim era uma maravilha. Comi um sanduíche de cogumelo com queijo derretido por cima que me saliva a boca até hoje, só de escrever. Sem falar no gigantesco copo de cerveja forte e morna como é costume dos pubs de Oxford, onde ambos davam aula na Universidade.
Mas, tava contando, o Braulinho deixou o autógrafo na portaria do prédio. E quando ele, o autógrafo, encontrou Lulu o prédio tremeu. Minha filha torceu discaradamente para os hobbits ganharem todos os Oscares. Chegou a pedir desculpas ao Fernando, de quem é grande admiradora e amiga, porque ia torcer pelo Peter. Eu fico olhando essa molecada vidrada no Token e acho ducaralho. Tanta gente preconceituosa criticou o filme sem ter visto. O livro, sem ter lido. Acham que é uma mistura de Guerra nas Estrelas com duendes. Gente ignorante.
J.R. Token, entre outras coisas, inventou línguas que nunca existiram. Com gramática e alfabeto próprio. Graças a minha pequena Luiza também conheci algumas comunidades virtuais sobre o assunto. Uma delas, a Valinor, tem mais de 18 mil membros (!). É uma das maiores do mundo. Foi fundada e é webmasterizada daqui do Brasil. E eu ainda estou me acostumando com a idéia de comunidades virtuais…
E sabe o que a molecada virtual delirou com o rabisco do Peter? O erro consertado à caneta na troca do “i” pelo “e”. Vai entender… A única possibilidade que vejo de seres humanos velhinhos como eu, com mais de 40, de acompanhar a velocidade das coisas, é através dos filhos. Quem não os tiver, tem que adotar um ou pedir emprestado. Senão, tá ferrado.
Escrito por Marcelo Tas às 17h44
