
O carnaval, esse feriado brasileiro mais que improvável, sempre traz surpresas além da nossa imaginação. Mesmo para quem está vendo a farra à distância, pela TV, como eu.
Até agora, de longe, a imagem mais impressionante, foi a coreografia do bombeiro paulista que conseguiu retirar com um gesto ágil e certeiro, uma delicadeza rara para a urgência do momento, o arranjo de penas pegando fogo da cabeça a madrinha da bateria da Mocidade Alegre (sexta-feira, primeiro dia de desfiles de escolas de samba em SP, na foto acima de Alexandre Schneider/ Reuters).
Agora, de longe, o momento mais engraçado que vi, foi a “entrevista” ao vivo na Globo, alta madrugada de sábado, com o puxador de samba da escola Águia de Ouro, do bairro da Barra Funda, zona oeste de São Paulo. O cara tava espumando de raiva porque o locutor oficial do sambódromo paulistano chamou a escola pelos autofalantes primeiro de “Vila Maria” (Zona Norte). Depois de “Águias” de Ouro. Transformou sua ira numa ação prática. No microfone fez uma convocação heróica a todos da escola para transformar aquela “desfeita” em empenho na passarela.
Enquanto esbravejava a plenos pulmões, o repórter da Globo colou no cara, louco para pegar o “clima da hora”. Tão logo deixou o microfone com o qual falava com sua escola, nem escutou a pergunta do valente jornalista e soltou para um “Brasil de audiência” ouvir bem claro o que ele estava “sentindo naquele momento”: “Vila Maria” foi confusão dele; agora “Águias” de Ouro é o caralho!”.
Corte rápido pro Chico Pinheiro.
PS: e você, o que viu aí na sua cidade que só acontece no carnaval?
Imagem: Alexandre Schneider/ Reuters
Escrito por Marcelo Tas às 10h00