Preparem seus cacetetes e línguas de sogra, vem aí o aniversário da ditadura brasileira.
31 de Março de 1964 – 31 de Março de 2004: 40 anos!
Uma quarentona, mas com corpinho de 68, 69… Faz tanto tempo que ninguém se lembram mais. Então eu faço um videoclip da história pra vocês.
1889. A República do Brasil foi proclamada por um militar: Deodoro. Desde então os caras gostaram de ficar em cima do cavalo.
1955. JK ganha nas urnas. Mas só consegue assumir graças às tropas de um general de esquerda, o Lott, que briga contra os outros militares que queriam impedir a posse. Esse fato ficou conhecido como “Golpe da Legalidade”.
(Pais estranho o nosso, né? Precisa de um golpe para chegar na legalidade?)
Depois o povo elege Jânio Quadros. Cara diferentão. Proibe biquínis, brigas de galo, condecora o guerrilheiro da revolução cubana Che Guevara e o astronauta russo Yuri Gagarin. E renuncia alegando “forças ocultas” que o impediam de governar.
1961. Aqui o caldo entornou. O vice de Jânio, João Goulart, que estava na China quase não consegue voltar ao Brasil.
O Exército decreta: se Jango voltar será preso imediatamente. Por comunismo. Depois de muita negociação, ele consegue voltar com apoio do governador gaúcho Leonel Brizola e da “Cadeia da Legalidade”.
(Olha a palavrinha aí de novo: legalidade. Impressionante. Respeitar a lei no Brasil sempre é uma coisa árdua. Inusitada. Subversiva!)
Então, detonaram o Jango. Motivo: ele queria promover a alfabetização, reforma agrária, taxar remessa de lucros ao estrangeiro… Tudo aquilo que até hoje a gente tá tentando fazer!
1964. Na madrugada de 31 de março, tropas tomam as ruas pra “manter a ordem no país”.
Ops, peraí! Se foi madrugada de 31 de março, o golpe militar aconteceu mesmo de fato no dia 1º de abril, o dia da mentira! Começando assim, não tinha como dar certo mesmo!
E realmente não deu outra: censura, tortura, guerra civil, fim das eleições diretas, implosão da frágil democracia brasileira…
Para disfarçar isso tudo: fez-se um milagre econômico! Ponte Rio-Niterói, Hidrelétrica de Itaipu, Usina nuclear de Angra e a incrível Transamazônica, a rodovia que liga nada a lugar nenhum.
Aliás, nada e lugar nenhum foi o resultado do “Milagre Econômico”, do então Ministro da Fazenda Delfim Neto. Ele prometia aumentar o bolo pra depois dividi-lo entre os brasileiros.
Mas o que explodiu foi a desigualdade social e a dívida. Em 64 era de 1,5 bi. No final da ditadura, em 1984, chegava aos quase 100 bilhões de dólares.
1984. Finalmente, com o general Figueiredo, aquele da foto ali acima que preferia cheiro de cavalo ao cheiro do povo, terminou a ditadura! Mas o abacaxi ainda tá aí até hoje para a gente descascar.
Ufa…
E agora me diga, incauto internauta, 40 anos depois, o que a gente deve aprender com esse período de ditadura militar? E hoje, vivemos algum tipo de ditadura? Ditadura econômica, ditadura da moda, dos banqueiros, das mulheres magrelas, ditadura do silicone…?
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Escrito por Marcelo Tas às 18h19