Quem foi que disse que estava tudo pronto para as Olimpíadas? É possível que as instalações onde vão acontecer os jogos já estejam OK e testadas. Eu acredito. Aqui nunca se sabe, a mídia é totalmente controlada. Mas tenho que informá-los que a primeira impressão de quem chega a Pequim é a de um grande canteiro de obras. Claro, tudo certinho com tapumes e out-doors gigantescos envelopando a bagunça com progagandas do evento (como este abaixo dos computadores Lenovo). Mas não duvide: a cidade está repleta de edifícios gigantescos apinhados de operários martelando noite e dia para deixá-los prontos algum dia antes do grande dia.
Alguns vão dizer: mas assim é a China, país que cresce sem parar há três décadas. Eu sei, mas estou falando é de obras que rodam as 24 horas em alta ansiedade para que terminem antes da chegada do circo olímpico: catracas eletrônicas ainda envoltas no plástico enfileiradas nas entradas do metrô (vão substituir as atuais mocinhas austeras e desconfiadas de verde que conferem os bilhetes), calçadas gigantescas ainda sem os tijolinhos amontoados fechando caminho de pedestres, prédios arrojados bem ao gosto das lentes da mídia mundial como esse da TV estatal chinesa (foto acima) ainda sobre guindastes e até mesmo um grande hotel bem aqui ao lado, ainda no esqueleto, que espera servir de pouso para os turistas endinheirados.
Minha tradutora, Ivana, uma italiana que fala mandarim como local, me garante que três meses para os chineses é uma eternidade. Então, calma pessoal, ainda faltam mais de cinco meses para a tocha ser acesa. Tudo deve terminar bem. Não estou aqui para lançar urucubaca sobre os sempre contagiantes Jogos Olímpicos. Muito pelo contrário, tenho imensa simpatia por aquela moçada malhada e sorridente que pratica esportes estranhíssimos.
Mas por enquanto, devo dizer que são quase dez da noite desta segunda-feira. E posso ouvir os tratores e escavadeiras animados, como se fosse 8 da manhã, bem aqui ao lado do meu quarto do hotel enquanto teclo essas maltraçadas para vocês.

Escrito por Marcelo Tas às 09h30