Desde ontem, estou trabalhando aqui no Rio de Janeiro.
Por conta do teatro, fazia uns bons seis meses que não tomava uma ponte aérea. No airbus da TAM, as comissárias parecem crianças. E são.
Na poltrona atrás da minha, uma senhora francesa está muito excitada. Vai ser sua primeira aterrizagem na cidade maravilhosa. Chama uma das comissárias crianças bem antes da decolagem. Quer saber se da janela onde está vai conseguir ver o “Pom du Assuquer”…
A garotinha, sem perder a eficiência e elegância, enquanto checa os procedimentos de segurança e ainda entrega balinhas aos passageiros, dispensa uma atenção cuidadosa ao desejo da velhinha. Ela vai até a cabine. Conversa com o piloto. Volta. Troca com firmeza e leveza a velhinha de lugar. E com o avião já rolando para a cabeceira da pista, diz que o piloto vai fazer o possível para se aproximar do símbolo máximo do Brasil para que ela possa vê-lo em toda sua plenitude da janelinha onde está.
Fiquei pensando o que aconteceria comigo se fizesse o mesmo pedido- ver a Torre Eiffel ou algo assim- para uma das comissárias da Air France ou da British Airways.
Quando saio de São Paulo, o Brasil me emociona.
PS: O Rio está imundo e decadente. Mas continua devastadoramente lindo.
Escrito por Marcelo Tas às 09h21