
Esse debate sobre privatização na campanha eleitoral é conversa para boi dormir. Nenhum dos candidatos quer de fato privatizar mais nada. Mas é um assunto que cutuca o nacionalismo boboca de muitos brasileiros.
O fato de uma empresa ser do estado não significa que é do povo. A favor do interesse público. Veja o caso do telefone. Eu, crianças, sou do tempo em que uma linha chegava a custar 3 mil dólares. Isso mesmo, dólares. Porque nosso dinheiro desvalorizava tão rápido durante o dia que não dava para falar em cruzeiro, ou cruzado, ou cruzado novo? Sarney, sempre ele, era o presidente.
As empresas telefônicas eram estatais, “nossas”. Só que quem pagava o pato era o povo. Ou melhor, o povo nem sonhava com telefone. Não havia linhas disponíveis. A espera era infinita. Os serviços eram uma porcaria. Não tínhamos a quem reclamar. Hoje os serviços não são uma maravilha, mas existem mais de 90 milhões de celulares e cerca de 60 milhões de telefones fixos em funcionamento no país. Há competição entre as empresas para oferecer menor tarifa. Um telefone novo é instalado em 48 horas. É o bom e velho mercado regulando oferta e procura. Como deve ser num país livre e com um mínimo interesse de interagir com a economia mundial.
Mas para ganhar voto, vale requentar e mal tratar qualquer assunto. O candidato Geraldo, até porque anda mal das pernas, é quem deveria se antecipar à “acusação” de ser ele um privatista. Por que ele não esclarece de vez, com todas as letras, a privatização da Vale do Rio Doce- realizada no governo FHC do partido dele? Seria importante confirmar os números da venda da Vale que estão sendo chutados em discursos e correntes de e-mail por aí. Por que não dizer ao público claramente, com documentação legítima, quanto a Vale valia e quanto vale hoje? Quanto a Vale paga de impostos ao governo todo mês?
O eleitor e o processo político brasileiros sairiam ganhando.
PS- aproveite e vote na enquete aqui ao lado.
Escrito por Marcelo Tas às 08h46