Estou pasmado com a repercussão e o mal entendimento do post abaixo.
Hoje de manhã, aqui num hotel em Manaus, onde preparo um espetáculo para a próxima semana no Festival de Óperas, fui acordado as 6 da manhã (aqui estou uma hora antes de Brasília) para entrar ao vivo numa rádio de Buenos Aires.
Diante da enxurrade de comentários e e-mails volto ao assunto.
Existem pessoas que se dizem “decepcionadas” comigo. Leram um “racismo” nas minhas palavras. Olha, pessoal, eu não sou santo. Nem cardeal candidato a Papa. Mas desculpem, vocês me apedrejam usando como arma um ódio e preconceito enraizado contra os argentinos. É uma bandeira evidente do vosso próprio racismo às avessas.
Meu ponto é muito claro. A beleza do jogo de futebol é o teatro do gramado, 11 contra 11 e uma bola no meio. É uma guerra encenada, um momento dramático com tão bem narrou Nelson Rodrigues em suas crônicas, sem mortos e feridos no final dos 90 minutos. Quer dizer, às vezes a ignorância produz violência. Como agora, quando o calor de uma partida é transformado em ódio entre dois povos vizinhos pela mídia e pelos incautos. Alguns comentadores desse blog.
O racismo está enraizado em nossa cultura. Até mesmo no apelido do jogador negro que foi vítima do xingamento. Ou você acha que Grafite é um apelido carinhoso que ele ganhou na infância?
Pense nisso por alguns segundos.
Em momento algum me coloquei ao lado de agressores da raça negra. Somos o segundo país em população negra do mundo. Só atrás da Nigéria. Graças aos negros que para cá vieram contra a vontade deles, temos uma das culturas mais ricas desse planeta. Inclusive na beleza do nosso futebol.
O preconceito está dentro de nós todos. Vamos todos nos educar e aprender com esse episódio. Não devemos combater preconceito com outro preconceito. Para os que me interpretaram com ansiedade e cegueira, esse é o meu recado no post abaixo.
Escrito por Marcelo Tas às 08h14