
A partir da próxima quarta-feira, este blog estará transmitindo diretamente da FLIP- Feira Literária Internacional de Paraty.
Este ano, o evento homenageia o grande Nelson Rodrigues, dramaturgo colossal, cronista sublime da vida brasileira e acima de tudo, o mais hábil usuário de adjetivos da lingua portuguesa. Por isso, os anteriores são de um raquitismo de dar dó. Incapazes de apontar com a devida eficiência o lugar que Nelson Rodrigues merece na nossa combalida cultura verde-amarela.
É uma alegria e alento ser convocado para cobrir um evento cujo homenageado é Nelson. Que ele inspire a FLIP e o Brasil, agora e sempre.
Abaixo, uma das minha preferidas visões do nosso Shakespeare de subúrbio. Será que Nelson Rodrigues estava antevendo que um dia o país ficaria paralisado diante do imprevisível desfecho de uma crise provocada pela amante do presidente do Senado?
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A sociedade brasileira segundo NR
O rico e o pobre são duas pessoas.
O soldado protege os dois.
O operário trabalha pelos três.
O cidadão paga pelos quatro.
O vagabundo come pelos cinco.
O advogado rouba os seis.
O juiz condena os sete.
O médico mata os oito.
O coveiro enterra os nove.
O diabo leva os dez.
E a mulher engana os onze.
Nelson Rodrigues
PS: da série “Leve Desespero”
Escrito por Marcelo Tas às 07h46