Encerrou-se no final de semana, em Brasília, o I Fórum Nacional de TVs Públicas. Deveríamos comemorar pela sua simples realização. “Never in the history of this country”, diria aquele, a sociedade brasileira gastou tempo para pensar se quer uma TV pública. E, em caso positivo, como deveria ser essa TV.
Tivemos, aqui e ali, a luta, muita vezes inglória, de profissionais que conseguiram desenvolver projetos na TV Cultura de São Paulo, TVE do Rio de Janeiro, TV Universitária de Pernambuco e outros germes de TV pública espalhados pelo Brasil, apesar de toda força contrária ao florescimento desse tipo de emissora, não estatal, não comercial.
Convoco o espírito livre e criativo dos colegas da imprensa para cobrir esse assunto tão frágil quanto explosivo sem paixões e preconceitos. Como tudo é ao contrário por aqui, a iniciativa da discussão da TV Pública, encampada inicialmente no Ministério da Cultura pelo lépido e atento Gilberto Gil; foi atropelada pelo Ministro das Comunicações Hélio Costa, que recolheu seu apetite voraz pelo assunto quando surgiu em cena o próprio presidente Lula para apoiar a iniciativa do ministro cantor baiano. Sim, crianças, o assunto é complexo. Um desejo da sociedade, representada por várias instituições públicas, está pelo menos por enquanto, sendo apoiado pelas autoridades do governo. O que é bom, mas merece toda nossa atenção. Afinal, uma TV Pública tem que passar bem longe do apetite dos poderosos de plantão. Tem que ser atemporal, apartidária, pública, em suma.
Abaixo, video com discurso do Ministro Gil expressando sua visão do assunto. Há vários outros vídeos na internet do encontro, inclusive do discurso do presidente Lula. Por enquanto, como sempre, de discurso o pessoal vai muito bem. Resta começar a parte mais dura, de transformar palavras em ação.
Como se dizia em Roma, Alea jacta est. Boa sorte à TV Pública brasileira. Vamos ficar de olho.
http://www.youtube.com/watch?v=Py7i0OWgp8Q&feature=player_embedded
Escrito por Marcelo Tas às 08h10