
Dois anos depois, finalmente os protagonistas do Mensalão foram punidos?
Nada disso. Apenas são agora considerados réus.
Lendo ontem os jornais gringos tentando desesperadamente explicar aos seus leitores o que seria o “Mensalón” (sim, alguns “traduziram” em espanhol) como “big monthly payment”, tive a nítida visão do por quê estamos há tanto tempo enrolados com essa trama que parece não ter desfecho.
A palavra “Mensalão” foi lançada por Roberto Jefferson na famosa entrevista para a Folha de S. Paulo em Junho de 2005. Apesar do neologismo, nunca se comprovaram os pagamentos mensais. E sim grossas somas de dinheiros saídas de contas misteriosas indo parar nas contas de petistas, aliados de petistas e até nas mãos da mulher do deputado João Paulo que estava inocentemente no insondável Banco Rural fazendo o pagamento de uma conta de TV à cabo. Segundo o deputado, é claro, agora acusado de corrupção passiva.
Portanto, durante meses, tivemos que ouvir Zé Dirceu e seus Blue Caps dizer que nunca existiu o “Mensalão”. É verdade, nunca houve pagamento mensal. E sim uma tungada federal em dinheiro que jorrava justamente entre aqueles que negociavam com o governo.
O STF está de parabéns. Mostrou sua razão de existir ao tornar réus ex-ministros, deputados, ex-deputados e até Duda Mendonça, o personal publicitário do presidente Lula.
Tudo isso poderia ser evitado. Mas agora é tarde, mas deveríamos ter nos dado conta do erro e escolhido um outro nome para a atividade dessa quadrilha.
O velho bardo e blogueiro William Shakespeare já nos alertava para a importância fundamental do nome das coisas em Romeu e Julieta.
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JULIETA — Romeu, Romeu! Ah! és Romeu? Renega o pai, esqueça o seu nome; ou então, se não quiseres, jura ao menos que amor me tens, porque uma Capuleto deixarei de ser logo.
ROMEU (à parte) — Continuo ouvindo-a mais um pouco, ou lhe respondo?
JULIETA — Meu inimigo é o teu nome. Continuarias sendo o que és, se acaso Montecchio tu não fosses. Que é Montecchio? Não será mão, nem pé, nem braço ou rosto, nem parte alguma que pertença ao corpo. Sê outro nome. O que há num nome? O que chamamos rosa, sob uma outra designação teria igual perfume?
Escrito por Marcelo Tas às 08h26