Crianças,
Soube que Gerald Thomas (http://geraldthomas.blog.uol.com.br/arch2004-12-01_2004-12-31.html) andou espalhando no seu blog que teve um caso comigo.
Para não fazer como Luma de Oliveira, que de uma forma anti-ecológica obriga a imprensa a gastar papel e tinta à toa só porque teve um casinho com um polícia, vou deixar bem claro a todos o seguinte:
– Sim, já namorei o Gerald!
Mas não houve penetração. Explico, nunca fui homem o suficiente para virar viado. Não estou fugindo do assunto nem inventando uma história. É isso mesmo, sempre que olho para um casal gay masculino, penso: nunca vou ser homem para isso. Tem que ser macho para namorar homem. Pegar naquela massa. Roçar bigodes. E é claro, aquele desconforto que é dar o rabicó. Só sendo muito macho mesmo. Coisa que nunca fui.
Na hora do vamos ver, gosto daquela coisa mulherzinha. Molinha, imprevisível, romântica, sonhadora, peitos, bundas, ancas largas, coxas moles… Neste sentido, e apenas neste sentido de gostar de mulher, acho que sou meio viado. Ou melhor, talvez eu seja um homem em processo de homossexualização. Entenderam?
Foi isso que senti no meu primeiro encontro com Gerald numa fila do correio da Prince Street no Soho, em Nova York. Onde mais encontraria Thomas? Saímos dali, ele me levou para um café no Dante, ali na Bleecker. Depois de dois expressos e cinco Gitanes Thomas ficou muito ligadão e pediu para ir ao meu flat conhecer o Ernesto Varela. Como assim, você já ouviu falar no Varela? Logo percebi o quanto aquele artista era eclético. Eu morava ali perto, no East Village, na rua 7. Mostrei o Varela para ele e foi uma loucura. Gerald se atirava ao chão, tremendo como Beth Coelho, na Trilogia Kafka. E de repente, desmaiou. Foi uma cena muito forte.
Despois desse dia, só rolou mais uma vez. Na Avenida 57, no depósito de uma galeria de arte onde ele me levou para conhecer Saul Steinberg (http://www.saulsteinbergfoundation.org/), o maior gênio do século 20, que estava terminando. Ele e o século. Era 1988. Sobre esse encontro, não falo, ele que conte lá no blog dele.
De minha parte, era tudo que tinha para declarar do saudoso affair Tas-Thomas.
