
Acontece nesse momento o sorteio dos gabinetes dos deputados pela TV Câmara.
Dá para assistir como um filme, daqueles que nos pegam desprevenidos numa madrugada insone na TV. E vislumbrar nas entrelinhas o tragédia brasileira.
No centro dos holofores, o bufão personagem deputado Inocêncio de Oliveira, aquele que nasceu com o nome errado. Pois é acusado e mesmo já condenado por ser o dono de uma fazenda onde 53 pessoas eram mantidas como escravos (só foram libertadas em 2002- bem depois da abolição!). O deputado, como se vê nesta manhã, ainda não teve que pagar pela falha. Aquela morosidade da Justiça, segunda instância, etc…
Mas Inocêncio não perde a pose. É homem entusiasmado com o que faz. Abre os trabalhos se auto-elogiando. Diz que os deputados poderiam ter construído um novo anexo ao custo de 140 milhões, mas como são muito bonzinhos estão ali sorteando gabinetes antigos. Que fofo.
Diz também que os deputados são “seres especiais” dentre os 186 milhões de brasileiros, pois conseguem até “consertar relógio em baixo dagua com luva de boxe”. Aí ele tem razão. Na noite anterior, ele mesmo presidiu os trabalhos que inocentaram, não é Inocêncio, o último dos mensaleiros, José Janene.
Bem, você podem pensar que eu pirei, mas vou voltar para o filme da TV Câmara. É um show do milhão parlamentar. É inacreditável. Para economizar o nosso dinheiro, estão reunidos num auditório lotado em Brasília, um bando de funcionários com transmissão ao vivo, por TV e internet. Um esquema que faria Silvio Santos ficar com inveja.
PS: falando em gabinete, o presidente Lula finalmente resolveu tomar uma medida para resolver o apagão aéreo: montou um Gabinete de alto nível para “discutir o problema”. Ah, agora vai.
Escrito por Marcelo Tas às 10h12